“Homem não presta”, “mulher dirige mal” – Que conversa é essa?

Com certeza você já ouviu esse tipo de coisa. Essa e outras frases comuns ao dia-à-dia tratam de tentar generalizar as coisas e, para várias pessoas elas costumam soar como verdades absolutas, mesmo havendo um monte de informações legítimas que apontam que tais “máximas” não têm o menor fundamento.

Mas, o que acontece, afinal?

Basicamente, é mais fácil simplificar a compreensão de uma determinada situação que pensar à respeito dela.  É bastante simples, inclusive para pesquisar: basta abrir livros de introdução à psicologia como de Morris e Maisto (que alguns alunos de primeiro ano ainda devem usar por aí) e ler um pouco sobre alguns processos básicos do “funcionamento” humano.

A generalização que serve basicamente para tornar a compreensão das coisas algo mais simples, de forma a antever os próximos movimentos alheios. Ou seja, é uma forma de poder reagir a uma situação mais rapidamente à partir daquilo que já se conhece.

O problema é que um mecanismo que noutrora deve ter sido muito útil nos primórdios da humanidade (como para antever movimentos de predadores e caças), na atualidade, em pleno século XXI (que às vezes parece mais com um pesadelo do século XX), abre caminhos para o surgimento e até permanência de visões bastante estereotipadas da realidade, como: “homens não prestam”, “mulheres dirigem mal”, “adolescência é aborrecência”, “nordestino é preguiçoso” e outras tantas aberrações sem pé nem cabeça.

Não bastando um empurrão para ideias sem pé nem cabeça, esse tipo de mecanismo favorece a antecipação de coisas que nem existem ou que deixaram de existir. Tudo isso em troca de um “resumir”, “simplificar” a realidade em informações gerais, o que como consequência acaba por ignorar outros aspectos da realidade que, com alguma reflexão, estudos e senso crítico, podem ser superados.

É muito mais fácil considerar que certos tipos e certas coisas são iguais que se dedicar ao esforço de olhar partes por partes da realidade e ver o quão complexa ela é.

Em se tratando de seres humanos, é seguro dizer que cada história vivida faz de cada sujeito único. De forma alguma uma leitura rasa da realidade é capaz de contemplá-la adequada ou justamente.

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