“Estou no terceiro casamento… eles sempre me traem…”

Rosinha é relativamente jovem. Tem 4 filhos, dois do primeiro casamento e os outros dois dos posteriores, sendo que a menina mais nova tem pouco mais de um ano. Se em sua vida tudo ocorresse como gostaria, eis que teríamos uma mulher feliz apesar das preocupações em como cuidar da prole… mas não… entre um olhar e outro para o vazio ou para o chão, os olhos se enchem de lágrimas sem que ela saiba porquê, os sentimentos lhe saltam à razão e brotam e rolam pelo rosto na forma de lágrimas. “Eu acho que o que motiva são meus filhos, que se eles não tiverem eu, a quem vão recorrer? Não posso ficar ruim assim, não…”

Nos relacionamentos anteriores, Rosinha foi traída por seus maridos, resultando em brigas e separações. Se fosse dada a esquecer por conta da “idade”, como dizia e nem tinha, talvez não tivesse ido tão longe em sua história e nem a fundo a ponto de se recordar de coisas parecidas que já haviam acontecido antes, incluindo traições de seus então namorados. “Eu devo ter algum problema sério, porquê sempre escolho errado… Ou minha mãe que tá certa, ela diz que homem nenhum presta”.

Como se não bastasse, a mãe de Rosinha também foi traída, casou duas vezes e não mais. Não bastasse ser a pessoa mais próxima, não causa surpresa ser com quem mais essa jovem mulher se identifica. “Nossa, somos muito parecidas, sabe? Até quando a gente faz comida as pessoas não sabem se foi eu ou ela quem fez.”

Rosinha, crente de que tinha que aguentar todos desafios nessa vida, tentou suportar tudo. Ou, quase tudo… afinal, devia ter alguma coisa que lhe permitisse mudar de direção, afinal, tinha mudado de namorado, de marido e de casa. “Vai, eu não fui santa, eu acho… porquê antes de terminar eu já estava querendo ficar com outro… acho que não foi certo, né? Mas é que assim, nossa, é muito ruim pra mim… assim, ficar sozinha…”

No decorrer do plantão, Rosinha, que estava certa de que um pouco de conversa, em meio solidão que sentia, resolveria, percebeu que pétala à pétala, vinha se acabando aos poucos. Se fosse uma planta, não haveriam dúvidas de sua força, mas aquilo tinha um limite e o desafio maior não talvez não fosse aquele que estava certa enfrentar

Se a questão fosse pura e simplesmente despachar um marido, um namorado ou companheiro que fosse, Rosinha já sabia como fazê-lo, inclusive teria despachado suas questões e não mais se haveria com elas, tampouco teria se desgastado tanto. Aquilo que parecia uma gota de água, era uma torneira aberta, transbordando na pia…

Rosinha ficou triste. Mas, se fosse dada a se abater pela tristeza, não teria ficado contente por se conhecer melhor, tampouco por começar a compreender seu papel em sua história e que isso lhe dava a chance de tentar mudar. “Só não sei por onde que eu começo.”

Caso pudesse ter seu caso solucionado pelo plantão psicológico, Rosinha teria tido sua alta. Mas, como a solução não dependia do simples querer, e como o problema estava entrelaçado à várias questões e, não obstante, emaranhadas em sua vida, a sua indicação foi para uma psicanálise.

Mas Rosinha não quis. Suave e delicada como uma rosa, não queria se despedaçar novamente. Suave e delicada, pediu um trabalho mais suave, que a ajudasse a resolver sua questão mais pontual e iminente. “Eu entendi o que é melhor, mas estou com receio de ir muito fundo mais uma vez agora…”

Rosinha foi atendida. Sua opção naquele momento foi uma psicoterapia breve de um ano.

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