Não sou juiz, mas… (sobre o caso da Avenida Paulista)

Não me compete fazer o julgamento de ninguém. Não estudei pra isso e, ainda que tenha toda uma simpatia pelo Direito, uma vez que ele faz parte de nossa sociedade, vou tomar a liberdade de me aventurar um pouco nesse campo hoje. Até porquê… estou aqui até agora me perguntando sobre que cargas d’água fizeram dar liberdade ao homem que estava ali se divertindo às custas de uma passageira de ônibus.

Divertindo-se?

Sim. O ato sexual, sua simulação ou coisas relacionadas são destinadas ao prazer. O orgasmo é o clímax disso e ponto.

Mas… esse é um ponto que pode implicar em uma ou mais pessoas. E obviamente não foi o caso da moça lá na Avenida Paulista. Sabe-se lá no que ela estava pensando, se nas suas contas, se em algum passeio ou em qual ponto desceria. Li que ela estava dormindo. Não importa, ela foi tomada como objeto de prazer sem que pudesse se defender do sujeito malicioso em questão.

Dizer que não houve violência é uma terrível bobagem, uma vez que o sujeito atirou nela o seu gozo, concretamente falando. Ela, a moça, só estava ali. Não pôde se defender e ao que o roll de informações publicadas diz, ela ficou em choque. Sabe-se lá o que passou pela cabeça dela e quantas voltas ela deu ali sozinha consigo mesma parada na Avenida Paulista no meio da multidão.

É óbvio que houve uma violência. Sêmen pode ser limpo com água e sabão, preferencialmente um bactericida, pois vai saber se o sujeito não é portador de doença venérea… O corpo físico está ok. A roupa, é só lavar também.

Agora, vá lá dizer que o que a moça sofreu vai passar… Vai passar quando? Em um ano, dez, vinte? Ela vai conseguir continuar um namoro, caso tenha? Ela vai se relacionar com algum homem depois do ocorrido? Quando? Vai suportar alguma relação sexual no futuro e conseguir construir uma família?

Pasmem!! Eu não posso, não estudei e nem trabalho com Direito e nem sou um jurista, mas não é admissível que profissionais de outras áreas venham até a Saúde Mental dar seus pitacos baseados em conversas, revistas de senso comum ou mesmo livros de literatura rasa sobre o assunto. Saúde mental é pra quem ficou pelo menos CINCO anos na faculdade e nesse caso, a quem compete dizer se houve dano ou não são esses profissionais. Estamos disponíveis para laudos, pareceres, relatórios e, quando for o caso, pra consultas e tratamentos de curto, médio e longo prazo. Ou seja, podemos dar suporte a outros profissionais.

Não sou radical a ponto de dizer “cada macaco no seu galho”, mas que cada um, respeite o galho alheio e que converse com o vizinho antes de se propor a pular no do outro pra resolver tudo sozinho.

 

Obrigado pela leitura e até a próxima.

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