Isolamento: ele mexe com a cabeça das pessoas?

Como muitas coisas, o isolamento pode ser um estopim para mexer com a cabeça das pessoas.

Em se tratando de isolamentos hospitalares é possível observar aumento de ansiedade e dúvidas diversas, como preocupação com a saúde, prognóstico, sensação de vazio, de exclusão, uma dolorosa solidão, dolorosa saudade dos outros diante da falta de perspectivas claras quanto ao futuro (seja para ver os outros, seja para retornar à vida e à liberdade habitual).

Enquanto uma maioria consegue encarar um isolamento como uma forma alternativa de tratamento, boa parte se tranquiliza quando percebe que a problemática maior implica em não permitir que o que ela (a pessoa doente ou suspeita) tem passe para outras pessoas. Inclusive, como gesto de consideração aos outros, passam a aceitar essa condição e a encarar os desafios envolvidos como uma fase.

Também há aqueles que encaram como uma espécie de sentença de morte, mas geralmente isso se dissipa na medida em que recebem informações adequadas e vão conseguindo absorvê-la. Como costumo dizer, nem sempre as pessoas estão prontas para receber informação, então pode ser necessário repetir, reorientar, explicar a mesma coisa várias vezes, até mesmo, de maneiras diferentes.

Mas…

…também têm aqueles que ficam bravos e até furiosos.

Esses dificultam o tratamento, mas costumam reagir melhor na medida em que recebem os devidos esclarecimentos. Em um hospital é mais fácil a pessoa compreender e cooperar com um isolamento, já que estar lá pressupõe uma avaliação de uma equipe para validá-lo. Fora dali é mais complicado.

No cenário atual é esperado que uma série de questões afetivas venham a eclodir. Há quem pense que é culpa do isolamento, mas isso requer um olhar mais cuidadoso para fazer um diagnóstico correto. O isolamento implica em privação de liberdade, cujo significado muda de uma pessoa para outra. Também envolve a questão do “sentir-se bem” confrontada ao que envolvem as patologias fisiológicas, afinal, para espalhar uma doença não é preciso ter sintomas, basta ter sido contaminado.

Dentro desse cenário de sentir-se bem, de estar privado de liberdade, que ainda envolve questões de sobrevivência (ter um trabalho e receber uma renda), fica mais difícil de manter a mente no lugar sim. E, neste caso, sempre se aplica, buscar formas de ocupar a mente e o corpo, sendo importante em certos casos até um desabafo.

O que não se pode é, diante do risco biológico, pura e simplesmente abrir mão do isolamento social ou da quarentena, seja como queira chamar. Afinal, é algo novo e que está sendo investigado em todos os sentidos (sinais, sintomas, transmissão, prognóstico e tratamento) e isso requer tempo de pesquisa.

Assim como acontece com pacientes isolados no hospital à espera de resultados de novas culturas, essa é hora de esperar no isolamento, ainda que isso paralise vidas de várias formas.

Está bravo? Com medo? Ansioso? Perdido? Procure alguém para conversar.

Se está sentindo o coração bater mais que o normal, dificuldade para respirar, sensação de que o coração vai sair pela boca, pense um pouco e considere a possibilidade de buscar ajuda profissional.

Busque quebrar o isolamento dentro de suas possibilidades. Há recursos para ligações ou videochamadas, videoconferências. Use o que estiver ao seu alcance.

Até!!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s