Notícias do final de semana no BBC

No final de semana foram publicadas algumas matérias interessantes na página do BBC que eu acredito valerem à pena serem lidos:

 

Os jovens que encontram nas redes sociais ‘válvula de escape’ para luta contra o câncer

‘Você não presta para nada’: a rotina de estresse, xingamentos e pressão dos atendentes de telemarketing

O estigma enfrentado nas periferias pelas pessoas com depressão: ‘Pobre não pode se dar ao luxo de não sair da cama’

 

Boa leitura!

Briga no hospital e na Saúde

As pessoas se estressam no hospital, sejam elas os pacientes, acompanhantes, visitantes ou os profissionais da equipe multidisciplinar. Nervos de aço e nem sangue de barata não existem e quando as pessoas pensam que isso tudo está lá, não subestime o inconsciente, pois os afetos irão aparecer.

Basta olhar pra esse caso recente em que um profissional do Samu briga com um solicitante por telefone. Há uma situação de tensão que requer uma investigação, afinal, não é sábio deslocar uma equipe com todo um arsenal de equipamentos para uma ocorrência que requeira menos. O inverso também é verdade. Há pessoas e mais pessoas podendo requerer socorro, então é preciso mandar um grupo certo pro local certo.

Por outro lado, não cabe se não aos profissionais de saúde saberem disso. Rotina de socorro, assistência e cia. ficam a encargo da equipe multidisciplinar. E seria interessante se a leitura do que ocorre além da rotina, ocorrências e intercorrências, fosse melhorado.

Como assim? Na hora da emergência você quer que fique explicando pro paciente o que está acontecendo?

Às vezes, isso é necessário, especialmente quando o nível de consciência possibilita. O desespero pode estar nos olhos de quem não “é da área” e às vezes requer muita pouca coisa, como um aviso de que estão ali vendo o que está acontecendo e que vão tomar providências.

E mandar ficar calmo?!?

Até mesmo pedir calma pode ser útil e nem pelo pedido em si, afinal, ansiedade e tensão são estados e não escolhas pessoais. Nesse caso, o que funciona é acolher esse estado e às vezes uma palavra bem colocada basta.

E se a pessoa estiver atrapalhando?

Dependendo do caso, também cabe ser mais rígido e pedir pras pessoas se afastarem sim.

 

De forma geral, o importante muitas vezes é, de alguma forma reconhecer a existência da tensão do outro para que ele próprio lide com ela e não a transfira para a equipe, como por exemplo:

Olhe, sei que você está preocupado. Então é por isso que preciso que você me faça tal coisa.

Muita gente que nunca colocou uniforme pro trabalho em saúde acha que é preciso se descabelar, arrastar médicos, enfermeiros, muita gente e muito equipamento pra resolver as coisas, desconhecendo que levantar informações já é parte do trabalho deles e que esse passo é crucial pra fazer as coisas certas. E mais que isso, após estudar, treinar e praticar, já não é mais necessário ficar de cabelos em pé, bastando cumprir passos na forma e velocidade adequada, o que ainda garante segurança (não pense você que é fácil lidar com monitores, massagens, tempo entre remédios e mais e mais remédios, além de exames e mais exames, vai e vem de equipamentos, e outras coisas mais, tudo isso ao mesmo tempo).

Uma emergência implica em tensão para todos e a pior coisa que se pode fazer, é tentar depositar tensão sobre o outro. É como uma corda, uma hora ela poderá arrebentar e aí teremos um desastre com ela se arrebentando em várias partes, como o recém noticiado. E se as pessoas estiverem cara-a-cara, como é óbvio, um confronto físico é uma possibilidade real e concreta.

 

Não se trata aqui de defender  um lado ou outro e sim, pensar que há outras formas de lidar com as situações. Além disso, se olharmos mais à fundo, ainda há outros problemas embutidos, como por exemplo, número reduzido de profissionais e um espaço ridículo (que muitas vezes beira ou se confunde com a nulidade) para a elaboração de questões subjetivas, que incluem a tensão de não poder errar, a de ter que arcar com demanda afetiva alheia e até mesmo a de ter que dar conta de pedidos objetivos ou subjetivos que não são sequer, humanamente possíveis.



Sobre a notícia em questão, ela foi publicada pelo G1 em 03/10/2017 pode ser visualizada aqui:

Gravação registra palavrões e insultos de médico do Samu em ligação de pedido de socorro; ouça

 


Obrigado pela leitura e até a próxima!

G1: Polícia diz que mãe impediu suicídio de filha que jogou ‘Baleia Azul’ no RJ

Há algumas considerações interessantes nesse artigo que vão além da “horrorização” com o jogo, trazendo reflexão sobre ao que se vincula esse jogo, que óbvio, é sintoma de algum problema sério que muitas pessoas insistem em não ver para não ter que falar deles. Ou seja, taca mais fogo no artista pra não ver o fogo no circo.

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/policia-confirma-que-adolescente-foi-vitima-do-jogo-baleia-azul.ghtml

BBC Brasil – Príncipe Harry revela luta de duas décadas para lidar com morte da mãe

Artigo da BBC publicado hoje sobre as dificuldades do príncipe inglês em lidar com a morte da mãe. Convém destacar que essa problemática aparece com certa frequência nos consultórios e que merece a devida atenção.

Boa leitura!

http://www.bbc.com/portuguese/curiosidades-39621626

BBC BRASIL – Raiva e irritação: os sintomas da depressão que muitas vezes ignoramos

Artigo acerca dos sintomas de depressão, publicado hoje na BBC-Brasil.  Sempre bom recordar que é preciso analisar de que se trata o sintoma ao invés de simplesmente buscar abrandá-lo ou fazê-lo desaparecer.

http://www.bbc.com/portuguese/brasil-39510846

BBC Brasil – Redes sociais validam o ódio das pessoas, diz psicanalista

Uma entrevista de Contardo Calligaris  à BBC Brasil:

http://www.bbc.com/portuguese/brasil-38563773

 

 

Sono e insônia

O sono é muito importante do ponto de vista fisiológico, tem um papel de reparação no organismo, mas também tem um papel no funcionamento da mente.

Não é novidade que o sonho seja de interesse da psicanálise.  Nele está manifesto o inconsciente, envolto em sonhos distorcidos pelo recalque.  Parece complicado, mas é como o conteúdo que fica armazenado lá no fundo de nossas mentes, reaparece, como uma espécie de peixe que sai lá do fundo do mar para a superfície disfarçado para não ser pego pelo pescador que é o consciente.  Ele sai das profundezas, mexe a água na superfície e quando o astuto pescador começa a perceber alguma coisa, pluft, ele mergulha de novo.

Pois bem, a grande questão é que o sonho tem relações com o conteúdo do inconsciente.  Como nem tudo é permitido e nem tudo é alcançável num estalar de dedos, é natural que haja o que nos deixe preocupados, ansiosos e etc.  Assim, há muitas coisas que podem sim perturbar o sono e uma das razões para isso pode ser algo bastante simples:  não dormir para não sonhar, para não tocar naquilo que incomoda.

Um caso relativamente comum em leitos hospitalares são alterações de pressão arterial e glicemia, não raras vezes acompanhadas de insônia, principalmente no pré-operatório. O que pode acontecer é que a pessoa tenha uma preocupação que antecede a cirurgia ou, que tenha relação com intra e pós operatório mas, ela não sabe muito bem o que pode ser. Às vezes a pessoa precisa encontrar uma via para que essa preocupação apareça e, quando é permitido que ela apareça, que seja elaborada, ela se acalma.

Não pense que é o caso de sair explicando sobre cirurgia para todo paciente, que não é assim.  Às vezes a pessoa coloca-se numa posição de alienação, pois não suporta ainda a ideia de estar doente ou ter que operar, vai pois sabe o quão é importante. Saber da importância da cirurgia e aceitar ter que ser operado são pontos distintos.

É preciso que a pessoa possa encontrar o que lhe incomoda ao seu próprio tempo e nesse sentido, ter que a escute é bem vindo.  Às vezes, repensar junto com alguém o que conversou com o médico pode ser valioso ou, descobrir que seu pós operatório pode não ser tão complicado como ela imagina. Ou ainda, saber que algumas possíveis complicações cirúrgicas, como a impotência pós cirurgia de remoção de próstata, tem suas possibilidades de correção.

Por experiência própria, já vi muitos pacientes inquietos em pré-operatórios simplesmente pelo fato de não terem tido uma abertura para conversar sobre como seria o pós.  Uma vez colocado as claras as dúvidas, elas podiam ser desfeitas e não ser mais uma preocupação tão pesarosa como noutrora.

 

Se há um problema para dormir, verifique a causa disso.  Pode não ser um trabalho fácil, mas é importante considerar que a insônia esteja ligada a demanda afetiva (e muitas vezes está), inclusive nos idosos, muitas vezes esquecidos e confundidos ou rotulados como “confusos”, “troca dia pela pela noite” ou aceitos com um… “ah, ele é assim mesmo desde que…” e por aí vai.  Insônia não é para ser ignorada, é um dado importante a ser visto e ouvido.

Quanto a extensão da insônia na sociedade, aqui vai uma pequena matéria do G1, falando de algumas consequências do problema do sono:

G1 – 40% dos moradores de Campinas, SP, sofrem de insônia, diz Unicamp

 

 

 

Suicídio

O suicídio é um tema que costuma gerar uma pequena discussão em rodas de conversa, seja se tratando da consumação dele ou, de suas tentativas.  Costuma-se pensar que suicídio seja algo que dependa de coragem ou resume-se a questão a “estar querendo chamar atenção”.  Ainda que algumas questões levantadas pelo senso comum possam ter alguma razoabilidade, elas tendem a ser extremamente minimalistas na compreensão do assunto.  Um suicida pode ser um sujeito que não tem recursos para afligir mal ao outro e que para evitar o horror de fazê-lo, sofre consigo mesmo até chegar ao extremo de aplicar a si mesmo tal capacidade violenta.  Esse é só um exemplo.  Na prática, cada sujeito requer uma escuta para a sua história e precisa ser tratado com tal exclusividade, ainda que esforços coletivos venham ajudar grupos onde há, naturalmente, uma identificação.

A vida em situações limites (não só em relação ao risco de vida, mas uma vida vivida de olhos e mãos nos limites da própria moralidade), é um fator de desgaste, ainda mais considerando-se o momento de xeque de valores pelo qual nossa sociedade passa.  O artigo da BBC é interessante e vale a pena uma lida para refletir mais sobre suicídio.

BBC Brasil – Por que os policiais se matam: pesquisa traz números e relatos de suicídios de PMs

Depressão pós-parto (BBC Brasil)

Estou há alguns dias sem postar, por estar ocupado me preparando para algumas atividades, como provas e seminários.  Mas, hoje encontrei essa matéria sobre um assunto relevante, cujos reflexos vão impactar não apenas na vida da pessoa adoecida, mas naquelas ao seu redor.  Os resultados, geralmente são os que chegam ao consultório, uma vez que em nossa cultura ainda há uma espécie de menosprezo àquilo que não está configurada como uma doença física.  Se observar em alguém alterações de humor sem causa específica durante um certo período, sutilmente, pergunte o que acontece… às vezes é preciso abrir portas antes de pensar em indicar ou fazer um encaminhamento.  Gravidez envolve mais que mudanças físicas, é uma real mudança de perspectiva, a inclusão de um novo sujeito na relação, mudanças nas relações existentes, muita coisa…

‘Pensei em me matar’: 1 em 4 mulheres sofrem de depressão pós-parto no Brasil

Até mais.

Lego, brinquedo e deficiência.

É interessante também considerar o papel de um brinquedo para a criança e a possibilidade que ele abre para a discussão e elaboração de um assunto.  Novidade sem dúvida, bacana.

 

BBC-Brasil: Ativista que luta por brinquedos ‘com deficiência’ celebra lançamento de Lego cadeirante