Como é o atendimento on-line? 6 lições importantes

Faz parte da prática profissional pensar e repensá-la sempre. Não basta o que se apreende da faculdade, mas é preciso buscar aprender e apreender mais e mais, seja na forma de novos conhecimentos, seja repensando os passos dados.

E essa necessidade veio à tona com o advento do covid-19…

Como tantas outras pessoas, reavaliei minha prática profissional e… o atendimento on-line… novamente. Trabalhando também dentro de um hospital, vendo as informações sobre a doença e desdobramentos, não esperava um cenário de quarentena de curta duração.

Pois bem… Então logo que portas passaram a se fechar, avaliei que meu trabalho no hospital colocaria em risco quem eu atendia presencialmente, então suspendi o trabalho no consultório e montei uma “estação de trabalho”: peguei meu fone de ouvido, o celular, suporte, ajeitei tudo e abri o Whatsapp. Pronto. Agora iria atender on-line por tempo indefinido.

Fiquei com receio no princípio, mas tanto aquela primeira sessão, como as demais que vieram depois, fluíram tão bem quanto às presenciais. Mas isso com certas ressalvas, que são cuidados com os quais aprendi a lidar:


1. Atendimento por mensagens? Pode ser só por escrito? Qual o resultado? Funciona igual ao áudio ou vídeo?

Explorei um pouco esse formato e pude observar que se trata de um modo de atendimento muito problemático:

  • é muito demorado;
  • há pouca exploração do conteúdo;
  • não é nada dinâmico;
  • dá margem para a pessoa escrever e apagar;
  • as frases do emissor e receptor podem se desencontrar;
  • o vazio de uma pessoa se comunicando é preenchido conforme as fantasias do paciente, o que torna extremamente problemático o estabelecimento da transferência.

Então, por conta desses problemas, não atendo por escrito.


2. O primeiro atendimento precisa ser por vídeo?

Tenho a considerado que a chamada de vídeo ou, videochamada, é a forma mais perto de uma sessão presencial. Da mesma forma que num consultório, o começo é de um profissional para seu paciente. Então, há uma importância em manter a coisa face-à-face, até para que os dois tenham consigo uma referência de quem é aquele com quem vos fala. É mais ou menos como dizer que é preciso existir pessoas entre a relação terapêutica (transferencial) que estão ali.

Há a possibilidade sim de um paciente migrar para sessões por áudio, mas isso vai variar de caso para caso, mais ou menos como é feito com a passagem da poltrona para o divã.


3. Como fica a cobrança por esse tipo de sessão?

À exceção do recebimento do pagamento em dinheiro, eu trato cada caso individualmente, conversando nas sessões à esse respeito. Tem quem pague por sessão, tem quem pague mensalmente.

Valor é assunto para ser conversado na sessão. Conversar fora é tratar isso como algo à parte e, convenhamos… uma sessão de psicanálise é para se falar, então, falar de dinheiro também conta.


4. Sai mais barata a sessão on-line?

Não. E nem pode ser algo mais barato, pois é importante que seja firmado um compromisso do paciente com o tratamento de suas questões. Os custos de um atendimento on-line continuam implicados tal qual o de um atendimento presencial, à exceção da locação de sala. Isso não exclui o investimento em equipamentos e até em adequar o ambiente para a prática profissional.


5. Cuidados ético-profissionais

É importante ter uma boa qualidade de conexão de internet, já que é imprescindível uma boa escuta de cada caso. Nesse sentido é que o atendimento on-line é mais complicado, pois os “cortes” numa conversa aqui dificultam tanto compreensão quanto intervenção. Em suma:

  • é importante localizar um ambiente com menos ruídos. Os ruídos podem incomodar tanto ao analista quanto ao analisando e causar quebras na sessão (a resistência vai adorar uma desculpa para deixar aquele assunto importante de lado);
  • encontrar uma localização fixa para manter a qualidade do sinal;
  • o ambiente precisa garantir privacidade, pois uma conversa com um psicanalista está mais perto de uma conversa consigo mesmo que um bate-papo com outra pessoa;
  • os dispositivos usados precisam ter seus dados assegurados através da pratica de hábitos seguros de navegação na internet e, quando for o caso, incluindo uso de anti-vírus.

6. Atendimento on-line não é cômodo e nem está lá para ser.

Uma análise está lá para trazer à tona o que incomoda e que lhe alfineta. Analista algum está no consultório para passar a mão na cabeça ou para passar pano em neurose. O compromisso de tratamento numa análise é para ser encarado com seriedade, não importa se for numa sessão presencial ou numa sessão mediada por meios eletrônicos.

O quanto preciso saber sobre o corona vírus?

Sejamos breves: se a essa altura da história você entendeu o que é o COVID-19, em se tratando de:

  • sinais e sintomas;
  • transmissão;
  • prevenção.

Então… pronto, você não precisa entender mais nada. Se for profissional da saúde já terá uma ideia aprofundada de cada tópico e com certeza sabe de cor e salteado como proceder.

Incorrer em mais que isso pode ser fomentar neuroses e esse tipo de coisa, inclusive no consultório, às vezes requer um corte, um encerramento deste processo.

Isso se faz necessário para evitar uma paralisia (esquecer da vida em troca de alguma repetição) ou ansiedade (se colocar em expectativas excessivas, por exemplo).

Não vou traçar aqui um manual de sobrevivência no isolamento, mas estarei disponível para conversar pelo Whatsapp nos meus horários vagos. Essa é hora de deslocar energia para outras coisas, mas pode ser hora de rever e de repensar alguma coisa na vida, o que sozinho pode ser angustiante.

Fúria e folia (um conto de Carnaval ou de lua cheia, quem sabe…)

“Eu não acredito que você fez uma coisa dessas, amiga!!!!” Foi com essa frase colada à mente que Ângela* ficou muda. Diante dela, mas dando as costas enquanto passava a esponja cheia de espuma num prato, Rosinha*, horrorizada.

Pensativa àquela altura da conversa, Ângela* começava a acreditar que tinha mesmo feito besteira. Ou talvez não?… Por fim, e na dúvida, resolveu manter o silêncio, concordar (não que concordasse com tudo) e foi embora, meio sem graça.

Gota à gota, a pia, se pudesse ver alguma coisa ou mesmo se alguma parte do aglomerado de compostos sedimentares que era, pudesse falar ou lembrar de algo com base na experiência que talvez tivesse se pudesse acumular memórias… saberia que Ângela* só tinha aproveitado a noite para ir um pouco além do que normalmente fazia: era moça, queria pura e simplesmente curtir a noite para ficar com vários outros jovens, coisa que já acontecia desde o começo da adolescência mas…

– Nossa, que galinha! – protestou, esbravejando solitariamente a dona da pia.

Com as palavras da amiga e a cena relatada muito viva flechando a consciência repetidamente, Rosinha* não podia admitir que a amiga tinha passado a noite com um desconhecido num motel. Achava isso um verdadeiro absurdo. Não obstante, se a pia pudesse observar as duas um pouco melhor, já que se tivesse olhos eles certamente estariam limpos de tanto sua dona passar-lhe pano… bem… o mármore falso teria visto uma moça muito satisfeita pelo feito (Ângela* sabia o nome do moço, claro) e outra horrorizada num mesmo instante.

– Loucura… fui fazer uma loucura, a-mi-ga-a!! Que loucura o quê?!?

Repetindo a fala da outra desdenhosamente, não havia bastado para Rosinha*, ficar brava e falar um montão de coisas. Ao terminar de arrumar a cozinha, ela ainda reclamou sozinha, xingou novamente e falou mais uma vez com espanto. Ângela* não era inocente mas, parecia que tinha exagerado, não é?

– É claro sim, claro que foi um exagero!!!

No meio daquela conversa coube a Ângela* se justificar e explicar, surpreendida por tamanha reação negativa da amiga. E convenhamos, ela tinha tomado todos os cuidados (e talvez até mais que muita gente): não foi no motel no mesmo carro e ela própria já levava preservativos na bolsa. Aliás, o moço também levava, o que deixava ainda mais óbvia a razão do encontro dos dois. E se a baladeira (que por sinal ainda trabalhava e estudava muito) não sabia se ele era mesmo solteiro ou não, ué… ele não era alguém com quem queria ficar além dessa noite de ontem. E que tinha sido maravilhosa…

– Nossa, que puta!!!… Que tinha que me mandar mensagem dizendo onde estava? Vai te catar!

A lâmpada se apaga e a pia fica entregue à luz da lua assim que Rosinha* sai. Pela porta, caindo na paredes, apenas a sombra da moça passando de um lado pro outro, se arrumando. Mas, ao contrário de outras vezes, ela não voltou nem um pouco cedo… aliás, estava tão irritada que “precisou” tomar um pouco de vinho antes de sair para ver se estaria melhor quando fosse sair com Ângela*.

E, com as horas… aquela noite se passou em silêncio. Aquele silêncio onde nada se escuta e nem se vê nada, de uma casa cujas vidas saíram por aí para retornar somente no dia seguinte…

– Nossa… – foi o que Rosinha* resmungou pondo as mãos na pia para se apoiar; estava um verdadeiro caco quando reapareceu.

Se pudesse, já que não tinha olhos, o mármore de mentira os teria apertado desconfiado, daquele jeito como quem pergunta: “e aí, o que aconteceu?”… Mas era só um granito e não poderia nunca acolher sua dona assustada.

Maquiagem toda borrada, a roupa torta, uma bolsa atravessada no meio do corpo e uma dor de cabeça horrível… Não, Rosinha* não estava conseguindo pensar direito e por fim largou os sapatinhos que carregava na mão, ali no chão da cozinha mesmo. Não era o que costumava fazer mas o fez e se sentou na cadeira ali mesmo, toda largada, alisando os lábios pensativamente.

Àquela altura, mal conseguia se lembrar da noite. Se a pia lhe perguntasse sobre o que havia bebido, ela não saberia nem dizer do copo de vinho antes de sair de casa. Descabelada, ela tenta ajeitar um pouco os fios, acenando negativamente com a cabeça, sem acreditar que há pouco acordara com um moço estranho bem do seu lado, num motel e atirado nele tudo o que tinha visto pela frente, antes de sair dali num Uber bufando raivosa.

E agora, olhando para o celular, que as delicadas mãos de esmaltes vermelhos afastam, Rosinha* se pergunta sobre o que dizer para a amiga. Mensagens perguntando sobre seu paradeiro e um monte de ligações. Havia uma vaga lembrança de silenciar o aparelho e jogá-lo no fundo da bolsa antes de ir para… onde mesmo?…

Era verdade que Rosinha* se lembrava muito pouco da noite. Sim, isso era verdade. Mas sua maior verdade é que não podia aceitar a chama acesa dentro de seu próprio corpo e aquilo que invejava tanto em Ângela*: o poder de soltar e dominar a própria chama para fazer praticamente tudo o que queria.

Como há de acontecer aos incautos que reprimem sem domar seus ferventes e borbulhantes desejos, o de Rosinha*, escapuliu total, completa e incontrolavelmente das mãos com as quais tanto buscava evitá-lo e mantê-lo quieto.

Se a pia fosse dada a fazer julgamentos como a própria dona, certamente a reprovaria veementemente agora.  Mas, ainda bem que não podia, afinal, Rosinha* já fazia isso tanto por querer quanto sem querer.

Rosinha* tinha aprendido que as coisas não poderiam ser daquela forma súbita e repentina: que seria preciso haver uma conquista, um relacionamento e, para talvez um dia haver algo mais íntimo.

Contudo, tamanha repressão dava as caras nas horas dedicadas a ouvir o quanto Ângela* “aprontava”: sempre queria saber com quem ela havia ficado, quando havia saído, o que tinha acontecido e etc. E ainda estava ali para aconselhar o contrário, assim como fizera ontem.

Era hipocrisia?

A pia, feita de seu indiferente mármore falso, poderia sim fazer uma boa observação, caso fosse dado a esses compostos sedimentares, alguma capacidade de se abster de julgar os humanos, diferentemente de como eles próprios estão tão habituados a fazer. E, livre de julgamento de valores, poderia logo perceber que dentro de uma mesma Rosinha* haviam duas: uma brigando para tentar satisfazer seus desejos mas, reprimida por outra, há anos poderosa e cruel ceifadora.

Mas, diante da primeira vitória da primeira Rosinha*, a segunda faz com que ela se ajoelhe no canto da cozinha e chore envergonhada, já que toda a força repressiva continua ali, tentando satisfazer não a si própria, mas ao que tanto esperavam e esperam dela até hoje.

E é assim, perdida, que Rosinha* se levanta enxugando as lágrimas que não são de uma ou de outra, mas todas dela mesma, mulher composta que sofre sem conseguir ser quem é, seja na repressão, seja na realização do desejo. Ela vira um remédio na boca e bebe a água da torneira mesmo. Estava feito e não tinha muito o que fazer agora a não ser engolir uma tal pílula, tomar um banho gelado e, bem… tentar entender ou esquecer a noite de lua cheia sob a qual havia se transformado.

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Revisado em 21 de fevereiro de 2020.

Ansiedade

A ansiedade não é um traço de personalidade e sim, um sintoma. Sintoma, por sua vez, diz respeito a algo que uma pessoa sente em relação a algo que acontece seja subjetivamente, organicamente ou, funcionalmente.

Noutras palavras, a ansiedade é um sintoma de que algo está acontecendo com a pessoa, mas que nem sempre ela sabe bem o que é.

Ansiedade pode estar relacionada a questões pontuais e bastante claras, como:

  • vésperas de uma cirurgia;
  • vésperas de provas (final de ano, vestibular, CNH e outras);
  • um encontro importante.

Nesses casos você deve imaginar que a ansiedade não é um problema e, de fato, não é. Contudo, a coisa deve ser encarada com mais cautela (e até como doença) na medida em que os sintomas se agravam, seja em intensidade, duração e reincidência, que por sua vez podem estar associados a outros sintomas como:

  • dificuldade para respirar;
  • batedeira no peito;
  • euforia (vontade de sair correndo desesperadamente, se mexer muito, ter que sair do lugar onde está de qualquer maneira ou de se agitar muito mesmo);
  • medo de morte iminente;
  • preocupação excessiva e muito antecipada a coisas que podem acontecer (preocupação excessiva com algum evento distante semanas à frente, por exemplo);
  • insônia (pode incluir sono ruim com pesadelos);
  • dificuldade de concentração;
  • mal estar inespecífico.

A ansiedade vai ter suas causas e sintomas específicos para cada pessoa. Como consequência, o tratamento também deverá ser específico, à começar do diagnóstico. Essa fase diagnóstica implica no profissional ouvir mais sobre a história do paciente com o objetivo de:

  • estabelecer um vínculo com o paciente;
  • conhecer mais sobre essa ansiedade relatada e como o paciente lida com ela;
  • saber sobre e como essa pessoa lida com a própria vida.
  • estabelecer um diagnóstico sobre o que causa essa ansiedade, bem como um prognóstico;
  • pensar em formas de tratamento possível e discuti-las com o paciente, inclusive podendo haver a necessidade de um diagnóstico diferencial de alguma outra patologia, em alguns casos.

Como digo e reforço, a ansiedade não é traço de personalidade, tem tratamento e cura. Você não precisa conviver com isso pela vida toda e nem com as perdas implicadas, entretanto, é a você que sofre que cabe buscar ajuda. Nem todos os casos de ansiedade são para tomar remédio e o objetivo é que a pessoa que precise, melhore e possa deixar essas medicações gradativamente.

Quanto mais demorada é a procura por tratamento de ansiedade, maior o risco de agravamento, podendo ela evoluir para estados depressivos, colaborar para acentuar ainda mais manias, fobias e também para a síndrome do pânico.

Ou seja:

  • – quanto maior a demora em procurar tratamento para saúde mental, maiores as chances de um problema se associar à ansiedade e vice-versa;
  • – quanto maior a demora em tratar a ansiedade, maior a chance desse tratamento também requerer um suporte psiquiátrico.

Ansiedade e medicação

Como disse, nem todo tratamento de ansiedade implica em medicamentos, ou seja, nem sempre é necessário um acompanhamento psiquiátrico.

O uso de remédios tem por finalidade única e exclusiva amenizar, diminuir os sintomas ao ponto em que consiga minimamente retomar algumas atividade cotidianas. Não é interessante o “desaparecimento completo” dos sintomas, pois isso dificulta o tratamento de tal forma, que a pessoa corre o risco de desenvolver algum outro tipo de sintoma.

Isto é:

Se a pessoa deixar de sentir completamente o que sentia em relação a uma determinada situação, ficará muitíssimo difícil ouvir e trabalhar o que até então estava acontecendo. Isso significa que a pessoa passará por cima de um ponto conflitante ainda mais vezes, o que poderá fazer com o que era um sintoma em um lugar, passe a se manifestar noutro, o que inclui a possibilidade de desenvolver doenças físicas de vários tipos.

Ansiedade requer uma escuta adequada para ser devidamente tratada e isso só pode ser feito através de psicanálise ou de psicoterapias. Só tomar remédios não vai resolver e, lidar com ela como se fosse um traço de personalidade só vai trazer um acúmulo maior de prejuízos.

Aliás, tratar ansiedade como traço de personalidade pode ser se conformar com algo que não é normal e que tem tratamento, um tratamento que implica em você falar, pensar e repensar sua vida em profundidade junto a um profissional habilitado.

Você é ou acha que é ansioso? Venha conversar!!

Conhece alguém que seja? Então indique o meu contato ou compartilhe essa página! As indicações e recomendações são as formas mais eficazes de ajudar essas pessoas!

Síndrome do pânico

A síndrome do pânico, conforme o CID10, é descrita exatamente como se segue:

F41.0 Transtorno de pânico (ansiedade paroxística episódica)
A característica essencial deste transtorno são os ataques recorrentes de uma ansiedade grave (ataques de pânico), que não ocorrem exclusivamente numa situação ou em circunstâncias determinadas mas de fato são imprevisíveis. Como em outros transtornos ansiosos, os sintomas essenciais comportam a ocorrência brutal de palpitação e dores torácicas, sensações de asfixia, tonturas e sentimentos de irrealidade (despersonalização ou desrrealização). Existe, além disso, freqüentemente um medo secundário de morrer, de perder o autocontrole ou de ficar louco. Não se deve fazer um diagnóstico principal de transtorno de pânico quando o sujeito apresenta um transtorno depressivo no momento da ocorrência de um ataque de pânico, uma vez que os ataques de pânico são provavelmente secundários à depressão neste caso.

Ataque de pânico
Estado de pânico
Síndrome de pânico
Exclui: transtorno de pânico com agorafobia (F40.0)

Fonte: Data SUS <http://www.datasus.gov.br/cid10/V2008/WebHelp/f40_f48.htm> Acesso em 24/11/2019.

Mas diferente do que é descrito aí, as situações ou circunstâncias ditas imprevisíveis, não funcionam exatamente assim na prática clínica. A verdade é que o paciente passa a vida incomodado por uma determinada situação (ou várias), sem se dar conta desse incômodo. Por exemplo, pode acontecer que um sujeito supostamente “calmo” nunca tenha percebido que a razão de ter ataques de pânico antes de ir no trabalho, era para evitar uma briga física com um colega desagradável, pois para ele só a ideia de perder a “calma” é insuportável, então, imagine como alguém assim fica quando lá no fundo tem vontade de “socar alguém”?

A intensidade dos sintomas da síndrome do pânico é demasiadamente sofrível, podendo ou não estar associada ao isolamento devido ao receio de novas crises. Esse isolamento costuma ser progressivo, seja por evitar pessoas, lugares, caminhos, até chegar ao não querer sair de casa. Neste caso, ele está associado ao mencionado no CID 10 sobre agorafobia, que por sua vez é um transtorno no qual a pessoa pode evitar desde pessoas a lugares, à partir de suas questões obsessivas ou depressivas, à vezes chegando a experimentar pouca ansiedade (mas porquê são bem sucedidos em evitar situações fóbicas).

Seja por um caminho, por outro ou, talvez outros que nem mencionei, a síndrome do pânico é uma doença que costuma chegar ao consultório à partir de recomendação psiquiátrica. Geralmente são pacientes que tratam das crises há algum tempo mas, que não conseguem se ver inteiramente livres dos sintomas e muito menos, dos remédios.

É fato: não há cura para síndrome do pânico se não através de psicoterapias ou de psicanálise, salvo em raros casos onde a pessoa se engaja em grandes mudanças na vida. Os medicamentos ajudam sim, mas só servem para amenizar os sintomas e para tentar evitar que novas crises surjam.

O tratamento para a síndrome do pânico requer psicoterapia ou psicanálise, costuma contar com um suporte medicamentoso cuja reavaliação ficará à encargo do psiquiatra, tendo em vista efeitos colaterais tanto no aumento, quanto redução, alteração e interação entre psicotrópicos.

A redução e o desaparecimento das crises leva alguns meses, variando de caso para caso. Entretanto, cabe ressaltar que não necessariamente o encerramento dos sintomas mais graves levará à cura. Aliás, como disse, é raro que isso aconteça dessa forma. Costuma ser através de psicanálise ou de psicoterapia que a pessoa vai rever a própria vida e tomar atitudes frente a ela para aí sim, se encaminhar para a cura daquilo que a levou à síndrome.

Vamos dizer que a síndrome do pânico é uma peça a ser trabalhada para ser removida de uma fileira de dominó, onde você trabalha uma por uma.

Deixar uma doença como a síndrome do pânico como está é deixar a vida se arrastando e acumular todo tipo de perdas.

Você têm síndrome do pânico? Têm ataques? Fobias? Conhece alguém que tenha? Entre em contato comigo ou me indique para essa pessoa!

TOC – Transtorno Obsessivo-Compulsivo

O transtorno obsessivo compulsivo é conhecido por algumas características mais “famosas”, como:

  • pensamento fixo em alguma coisa;
  • repetições;
  • manias e rituais;
  • fazer coisas sem saber propriamente por qual razão (repetidamente).

Mas antes de entrar no assunto propriamente dito, vamos ver também o que diz o CID10:

F42 Transtorno obsessivo-compulsivo
Transtorno caracterizado essencialmente por idéias obsessivas ou por comportamentos compulsivos recorrentes. As idéias obsessivas são pensamentos, representações ou impulsos, que se intrometem na consciência do sujeito de modo repetitivo e estereotipado. Em regra geral, elas perturbam muito o sujeito, o qual tenta, freqüentemente resistir-lhes, mas sem sucesso. O sujeito reconhece, entretanto, que se trata de seus próprios pensamentos, mas estranhos à sua vontade e em geral desprazeirosos. Os comportamentos e os rituais compulsivos são atividades estereotipadas repetitivas. O sujeito não tira prazer direto algum da realização destes atos os quais, por outro lado, não levam à realização de tarefas úteis por si mesmas. O comportamento compulsivo tem por finalidade prevenir algum evento objetivamente improvável, freqüentemente implicando dano ao sujeito ou causado por ele, que ele(a) teme que possa ocorrer. O sujeito reconhece habitualmente o absurdo e a inutilidade de seu comportamento e faz esforços repetidos para resistir-lhes. O transtorno se acompanha quase sempre de ansiedade. Esta ansiedade se agrava quando o sujeito tenta resistir à sua atividade compulsiva.
Inclui:
neurose:
– anancástica
– obsessivo-compulsiva

Fonte: Data SUS <http://www.datasus.gov.br/cid10/V2008/WebHelp/f40_f48.htm> Acesso em 24/11/2019.

O que por sua vez exclui a personalidade ancástica, que é essa descrita aqui:

F60.5 Personalidade anancástica
Transtorno da personalidade caracterizado por um sentimento de dúvida, perfeccionismo, escrupulosidade, verificações, e preocupação com pormenores, obstinação, prudência e rigidez excessivas. O transtorno pode se acompanhar de pensamentos ou de impulsos repetitivos e intrusivos não atingindo a gravidade de um transtorno obsessivo-compulsivo.
Personalidade (transtorno da):
– compulsiva
– obsessiva
– obsessiva-compulsiva

Exclui:
transtorno obsessivo-compulsivo (F42.-)

Fonte: Data SUS <http://www.datasus.gov.br/cid10/V2008/WebHelp/f60_f69.htm#F60> Acesso em 24/11/2019.

Como é mencionado aí em cima, há ideias e comportamentos recorrentes ou, também pode haver os dois juntos. Essas manias, repetições e compulsões em fazer coisas sem saber direito porquê, têm um significado que vai variar de uma pessoa para pessoa.

A coisa é mais complexa do que costuma parecer. Como o significado de cada ação é único para cada pessoa, a investigação (psicodiagnóstico) ou psicanálise de cada caso, seguirá uma direção em particular. É necessário conversar sobre muitas coisas, inclusive, pode ser necessário voltar ao mesmo assunto mais de uma vez para explorá-lo mais e mais à fundo.

O agravamento de um transtorno obsessivo (ou neurose obsessiva) pode implicar em timidez excessiva, isolamento, ansiedade em graus insuportáveis e, muitas vezes, comportamentos que podem “enlouquecer” quem está ali por perto.

Nos dias atuais, como há muitos grupos sociais, é natural que muitos obsessivos se juntem e terminem por fomentar ainda mais as próprias neuroses como se fossem coisas naturais e normais. À partir disso, a coisa pode piorar na medida em que fazem os outros (que estão fora de seu grupo) acreditarem que eles são mesmo normais (afinal, estão juntos aos montes).

Ou seja:

À partir desse exemplo você pode observar que neuróticos obsessivos podem ser extremamente convincentes com relação aos seus infindáveis argumentos em relação a determinado assunto. Da mesma forma, podem não se cansar de argumentar ou, ainda, se enrolar extraordinariamente em uma situação bastante simples sob os mais infindáveis pretextos.

Isso acontece pois é importante para eles a “conservação” da própria doença. Isso não significa que eles simplesmente queiram ser do jeito que são, mas o fato é que não é fácil lidar com a mudança e nem romper com aquilo que incomoda.

Conservar a “neurose” têm um custo alto: trata-se de viver uma vida cheia de preocupações (não raras vezes insanas) e com várias (se não uma infinidade) de privações, que vão desde a de poder viver tranquilamente, as de se aproximar e se relacionar mais à fundo com as pessoas.

O tratamento tende a ser longo, mas depende muito da disponibilidade em encarar a si mesmo e a encarar todos os desafios para mudar. Não se trata de resumir a coisa toda ao aprender coisas novas e sim, em mudar como lidar com a própria vida. A associação medicamentosa pode existir, mas serve mais para o tratamento de sintomas secundários, como ansiedade e depressão.

Você se identifica com esse transtorno ou com essa personalidade? Sente que manias, repetições e outras coisas o incomodam? Então entre em contato e venha conversar comigo!

Conhece alguém que pode estar nessa condição, cheio de manias, repetindo coisas sem parar, se enrolando com toda vida? Faça uma indicação ou recomendação!! Pessoas conhecidas e suas recomendações podem levar tempo para fazer efeito, mas são sempre importantes!!

Depressão

A depressão se transformou em algo muito falado hoje em dia, entretanto, seu significado só está começando a ser difundido por aí. Como outras doenças mentais, não é um assunto simples.

Compreender e tratar a depressão leva algum tempo. Como o assunto é complexo, para muitas pessoas é melhor encerrar o assunto com alguma fala do tipo:

“antes não tinha dessas coisas”

“isso aí é frescura”

“isso é falta de ocupar a cabeça”

Há tantos exemplos que chega a ser desnecessário mencionar mais, não é? Mas, vamos por partes.

A via pela qual muitas pessoas ficam conhecendo a depressão é a psiquiátrica. Como falar de doenças costuma remeter aos médicos, convém citar o CID 10, antes de nos aprofundarmos no assunto da maneira que ele merece:

F32 Episódios depressivos
Nos episódios típicos de cada um dos três graus de depressão: leve, moderado ou grave, o paciente apresenta um rebaixamento do humor, redução da energia e diminuição da atividade. Existe alteração da capacidade de experimentar o prazer, perda de interesse, diminuição da capacidade de concentração, associadas em geral à fadiga importante, mesmo após um esforço mínimo. Observam-se em geral problemas do sono e diminuição do apetite. Existe quase sempre uma diminuição da auto-estima e da autoconfiança e freqüentemente idéias de culpabilidade e ou de indignidade, mesmo nas formas leves. O humor depressivo varia pouco de dia para dia ou segundo as circunstâncias e pode se acompanhar de sintomas ditos “somáticos”, por exemplo perda de interesse ou prazer, despertar matinal precoce, várias horas antes da hora habitual de despertar, agravamento matinal da depressão, lentidão psicomotora importante, agitação, perda de apetite, perda de peso e perda da libido. O número e a gravidade dos sintomas permitem determinar três graus de um episódio depressivo: leve, moderado e grave.
Inclui:
episódios isolados de (um) (uma):
– depressão;
– psicogênica;
– reativa;
– reação depressiva.

Exclui:
quando associados com transtornos de conduta em F91.- (F92.0)
transtornos (de):
– adaptação (F43.2)
– depressivo recorrente (F33.-)

F32.0 Episódio depressivo leve
Geralmente estão presentes ao menos dois ou três dos sintomas citados anteriormente. O paciente usualmente sofre com a presença destes sintomas mas provavelmente será capaz de desempenhar a maior parte das atividades.

F32.1 Episódio depressivo moderado
Geralmente estão presentes quatro ou mais dos sintomas citados anteriormente e o paciente aparentemente tem muita dificuldade para continuar a desempenhar as atividades de rotina.

F32.2 Episódio depressivo grave sem sintomas psicóticos
Episódio depressivo onde vários dos sintomas são marcantes e angustiantes, tipicamente a perda da auto-estima e idéias de desvalia ou culpa. As idéias e os atos suicidas são comuns e observa-se em geral uma série de sintomas “somáticos”.
Depressão:
– agitada 
– maior
– vital

Fonte: Data SUS <http://www.datasus.gov.br/cid10/V2008/WebHelp/f30_f39.htm> Acesso em 24/11/2019 

Pois bem. Há muitos sinais e sintomas para definir o que é uma depressão dentro do CID10, não é? Mas ainda assim, essa compilação de códigos não é de longe o suficiente.

Por exemplo, existe o luto. Ele pode se parecer com a depressão, mas tem algumas diferenças que depois explico um pouco.

O luto é uma espécie de entristecimento causado por alguma perda, podendo ser marcado por desinteresse, angústia, pensamento recorrente no que foi perdido, além de lamentações nesse mesmo sentido. Não está necessariamente ligado a uma perda física, mas se aplica a outras, como a de perder um objeto ou bem querido, término de relacionamento ou quebras de vínculos (como mudança de escola, emprego ou profissão).

Lidar com uma perda implica em um gasto de energia para elaborar, entender, absorver e passar a lidar com a realidade de outra forma, se direcionando para outra coisa. Então, não será do dia para a noite que as pessoas deixarão de ficar enlutadas.

A elaboração do luto pode levar uns dois anos. Entretanto, como noutros casos em saúde mental, a intensidade dos sintomas pode requerer um suporte profissional para observar e escutar melhor o que está se passando, não sendo necessário esperar sozinho que tudo passe por si só. Aliás, o luto só é elaborado quando há um espaço para isso, o que pode acontecer falando à respeito, por exemplo.

Agora voltemos à depressão propriamente dita.

Na psicanálise, Freud a definiu como melancolia para diferenciá-la do luto. Isso aconteceu pois ao ouvir os pacientes, percebeu-se que ainda que alguns sinais e sintomas sejam parecidos, a forma como surgem e como se desenrolam são diferentes estruturalmente.

No caso do luto, a perda é de algo de fora. No caso da depressão (ou melancolia), é como se a pessoa tivesse lamentando a perda de um pedaço dela própria, como se sua personalidade estivesse mutilada e sofrendo por isso; isso tem uma implicação bem importante na auto-estima.

A coisa parece que está se complicando, não?

Sim, é um bocado complexa. A prática clínica mostra que a depressão pode estar associada a questões de formação de personalidade, o que fica bastante complicado de explicar aqui, o que me faria fugir da proposta da página.

Em relação ao diagnóstico e ao tratamento da depressão, eles podem demorar, já que implicam no tocar em lembranças doloridas. Isso requer cuidados, pois o sofrimento do paciente pode agravar os sintomas, mas precisa estar dentro do suportável para ele. Ou seja, não se pode escavar as memórias e sentimentos de alguém de qualquer jeito, pois isso pode acabar fazendo bastante mal.

Em relação a associação medicamentosa, é mais frequente as pessoas irem ao psiquiatra, receberem medicação e perceberem que só com comprimidos elas não voltam a ser como eram. Nessa fase alguns abandonam tratamento ou buscam outro psiquiatra. Entretanto, o ideal é a pessoa ir atrás de psicoterapia ou de psicanálise mantendo o tratamento prévio, tendo em vista que é importantíssimo ser ouvido o que está relacionado ao que trouxe e ao que se liga essa depressão.

Como disse, o CID10 fala dos sinais e sintomas da depressão mas, deixa muita coisa importante de fora que precisa ser avaliada e tratada pelos profissionais de saúde mental.

Você pode chegar ao consultório com um diagnóstico CID10, dizendo qual tipo de depressão que tem, com lista de remédios e carta de encaminhamento nas mãos. Só que essas coisas não falam sobre a sua história de vida e não vão servir por si só, para explicar como é que você adoeceu. O adoecimento é como um ponto que está ligado a outros pontos, mas que também vai formar outros pontos na medida em que ocorrerem recaídas e os altos e baixos da vida.

Difícil, não é?

É difícil sim. E por isso mesmo requer tanto do paciente quanto de seu terapeuta ou analista, empenho e comprometimento. O trabalho no consultório é feito de descobertas, redescobertas, lembranças, relembranças e escritos e reescritos. O ritmo deve ser adequado de caso para caso, pois como disse, é natural que cada pessoa tenha o seu limite para suportar sofrimento na medida em que tenta sair de onde está. Mas o tratamento é importante e pode sim conduzir à cura, o que naturalmente deverá implicar numa disposição do paciente em repensar coisas em sua vida.

E quanto às recaídas?

As recaídas podem se dar, por exemplo, na medida em que o deprimido consegue chamar atenção para a sua condição. Com isso, ele muda o ambiente ao redor, muitas vezes apenas temporariamente. Na medida em que melhora, seus arredores voltam ao que era antes e aí há o risco tanto da recaída, como dela não ter o mesmo efeito nos outros. À partir daí, as formas de tentar “chamar atenção para o sofrimento”, podem piorar.

Querer chamar a atenção não envolve um “querer consciente” na maioria dos casos. Essa é uma razão pela qual tanto pode fazer se após uma crise a pessoa ouve xingamentos ou recebe abraços. Se for questão de receber algo, isso vai satisfazê-la em relação ao inconsciente dela.

Não adianta muita coisa ficar se perguntando o que essa pessoa que está sofrendo quer e tentar oferecer isso. É preciso que ela tenha como dizer o que quer e para alguém que possa ouvi-la de uma forma mais apropriada.

Outra forma de recaída no tratamento da depressão é quando a pessoa tenta fazer algo diferente e isso não dá certo. Ou, quando ela se vê de cara com um acontecimento sofrível (afinal, no meio do tratamento podem acontecer imprevistos ou outros eventos traumáticos, como acidentes e lutos). Por isso é importante tanto o tratamento quanto sua continuidade: para amortecer e para ajudar a lidar com esses outros momentos delicados sem deixar as questões principais de lado.

Associações da depressão com outras doenças

A depressão pode ser uma doença secundária a outras de saúde mental, como em alguns obsessivos, portadores de histeria e em ansiedades má tratadas. Seja como for, a depressão sempre merece uma escuta e um tratamento cuidadosos. O tempo para a cura vai variar muito de caso para caso, não necessariamente requerendo o tratamento psiquiátrico, muito embora a maioria costume vir por esta via.

Mas como disse, a depressão pode ser uma doença secundária. Assim, muito embora ela possa ser curada, isso não quer dizer que o que a trouxe foi. Portanto, o tratamento da depressão pode não ser o fim de um tratamento e, caso essa questão não seja considerada com a devida atenção, pode ser um fator que implique em recaídas ainda mais sérias no futuro.

E quanto ao suicídio, as tentativas de suicídio e o auto-flagelo?

Elas estão associadas a quadros mais graves de depressão, mas não é regra geral que elas sejam formas de tentar chamar a atenção. Aliás, é uma observação um bocado superficial que se popularizou por aí.

Suicídio, tentativas de suicídio e auto-flagelo podem estar associados a:

  • tentativa de lidar com algo insuportável e conflitante: vamos dizer que em alguns casos a pessoa faz mal a si para causar culpa no outro, mas também pode fazer a mesma coisa para evitar causar mal ao outro, seja direta ou indiretamente;
  • se sentir insignificante e tratar a si próprio também com insignificância;
  • punir a si próprio por algum desejo proibitivo, ou por algum fracasso ou mesmo, sucesso.

Seja qual for a razão que fez a pessoa ficar deprimida, para sair da doença será preciso mudar alguma coisa na própria vida, nem que seja começando sozinha ao estender a mão ao telefone para buscar alguém para ouvi-la profissionalmente.

Você suspeita ou tem depressão? Faz tratamento? Está na dúvida sobre o que fazer? Entre em contato, vamos conversar sobre isso!

Conhece alguém que tenha? Faça uma indicação! Muitas queixas em saúde mental são direcionadas através de indicações! Faça a sua, elas podem demorar a fazer efeito, mas sempre são importantes!!

Quanto tempo demora para ficar curado?

Pois bem. Se uma doença mental é construída ao longo de uma vida, isso significa que a vida dessa pessoa dificilmente levará pouco tempo para mudar. Mudanças bruscas não são impossíveis, mas são raras.

Para a pessoa ser o que é, significa que ela passou a ser como é no decorrer de uma vida até o momento presente. Mudar isso envolve entender como ela chegou até aqui e é preciso que o trabalho no consultório faça um caminho “inverso” ao do tempo.

Como Freud ilustrou bem há muito tempo atrás, o trabalho do psicanalista tem uma similaridade com o de um arqueólogo, requerendo cuidado para juntar vários fragmentos do passado para entender do que se tratam aqueles pedaços.

Por exemplo, se alguém tem dificuldade de falar em público, não há propriedade em falar que ela “deve se soltar”, a não ser que seu objetivo seja “motivá-la”. Um paciente em análise precisa de mais que isso. É preciso explorar do que é feita essa dificuldade.

__ Se o trabalho for apenas para “motivar”, não estará excluído o risco de a pessoa repetir a mesma dificuldade noutros momentos __

Dado o passo rumo à descoberta, caberá ao paciente refletir sobre o que fazer com aquilo que aparecer. E, sabendo quem é e do que suas dificuldades são feitas, deverá refletir sobre que caminho tomar e como construí-lo.

Noutras palavras, não se iluda com promessas ou perspectivas de curas com o estalar de dedos. Não existem palavras mágicas no consultório nem em livro nenhum. As questões de cada pessoa possuem ingredientes diferentes e cada mistura é única. O caminho para entender e trabalhá-las, é pelas psicoterapias, o que inclui a psicanálise.

Psicoterapia pra quê?!?

Vamos direto ao ponto.

Psicoterapia serve para tratar da:

Há uma porção de definições, pois o significado do que é importante varia de uma pessoa para outra. Psicoterapias podem servir também para o tratamento de:

Esse tipo de tratamento serve para compreender o momento atual e como foi que as coisas chegaram até aqui. Como estamos todos repletos de mecanismos de defesa para evitar o próprio sofrimento, então é muito difícil que alguém consiga parar para refletir e ver onde é que as coisas não estão funcionando bem. Se você já conseguiu ou está conseguindo isso, merece os parabéns. Entretanto, esse não é um passo fácil de lidar e muitas pessoas requerem auxílio para tal.

Cada pessoa tem anos de história, então, ainda que ela possa se parecer com a de outra pessoa, ela é uma só. Ou seja, não é necessário e nem adianta comparar sua vida com a de outra pessoa, pois o tratamento de cada uma será único.

Caso queira conversar mais sobre esse assunto, envie sua mensagem!!!

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