Isolamento: ele mexe com a cabeça das pessoas?

Como muitas coisas, o isolamento pode ser um estopim para mexer com a cabeça das pessoas.

Em se tratando de isolamentos hospitalares é possível observar aumento de ansiedade e dúvidas diversas, como preocupação com a saúde, prognóstico, sensação de vazio, de exclusão, uma dolorosa solidão, dolorosa saudade dos outros diante da falta de perspectivas claras quanto ao futuro (seja para ver os outros, seja para retornar à vida e à liberdade habitual).

Enquanto uma maioria consegue encarar um isolamento como uma forma alternativa de tratamento, boa parte se tranquiliza quando percebe que a problemática maior implica em não permitir que o que ela (a pessoa doente ou suspeita) tem passe para outras pessoas. Inclusive, como gesto de consideração aos outros, passam a aceitar essa condição e a encarar os desafios envolvidos como uma fase.

Também há aqueles que encaram como uma espécie de sentença de morte, mas geralmente isso se dissipa na medida em que recebem informações adequadas e vão conseguindo absorvê-la. Como costumo dizer, nem sempre as pessoas estão prontas para receber informação, então pode ser necessário repetir, reorientar, explicar a mesma coisa várias vezes, até mesmo, de maneiras diferentes.

Mas…

…também têm aqueles que ficam bravos e até furiosos.

Esses dificultam o tratamento, mas costumam reagir melhor na medida em que recebem os devidos esclarecimentos. Em um hospital é mais fácil a pessoa compreender e cooperar com um isolamento, já que estar lá pressupõe uma avaliação de uma equipe para validá-lo. Fora dali é mais complicado.

No cenário atual é esperado que uma série de questões afetivas venham a eclodir. Há quem pense que é culpa do isolamento, mas isso requer um olhar mais cuidadoso para fazer um diagnóstico correto. O isolamento implica em privação de liberdade, cujo significado muda de uma pessoa para outra. Também envolve a questão do “sentir-se bem” confrontada ao que envolvem as patologias fisiológicas, afinal, para espalhar uma doença não é preciso ter sintomas, basta ter sido contaminado.

Dentro desse cenário de sentir-se bem, de estar privado de liberdade, que ainda envolve questões de sobrevivência (ter um trabalho e receber uma renda), fica mais difícil de manter a mente no lugar sim. E, neste caso, sempre se aplica, buscar formas de ocupar a mente e o corpo, sendo importante em certos casos até um desabafo.

O que não se pode é, diante do risco biológico, pura e simplesmente abrir mão do isolamento social ou da quarentena, seja como queira chamar. Afinal, é algo novo e que está sendo investigado em todos os sentidos (sinais, sintomas, transmissão, prognóstico e tratamento) e isso requer tempo de pesquisa.

Assim como acontece com pacientes isolados no hospital à espera de resultados de novas culturas, essa é hora de esperar no isolamento, ainda que isso paralise vidas de várias formas.

Está bravo? Com medo? Ansioso? Perdido? Procure alguém para conversar.

Se está sentindo o coração bater mais que o normal, dificuldade para respirar, sensação de que o coração vai sair pela boca, pense um pouco e considere a possibilidade de buscar ajuda profissional.

Busque quebrar o isolamento dentro de suas possibilidades. Há recursos para ligações ou videochamadas, videoconferências. Use o que estiver ao seu alcance.

Até!!!

O quanto preciso saber sobre o corona vírus?

Sejamos breves: se a essa altura da história você entendeu o que é o COVID-19, em se tratando de:

  • sinais e sintomas;
  • transmissão;
  • prevenção.

Então… pronto, você não precisa entender mais nada. Se for profissional da saúde já terá uma ideia aprofundada de cada tópico e com certeza sabe de cor e salteado como proceder.

Incorrer em mais que isso pode ser fomentar neuroses e esse tipo de coisa, inclusive no consultório, às vezes requer um corte, um encerramento deste processo.

Isso se faz necessário para evitar uma paralisia (esquecer da vida em troca de alguma repetição) ou ansiedade (se colocar em expectativas excessivas, por exemplo).

Não vou traçar aqui um manual de sobrevivência no isolamento, mas estarei disponível para conversar pelo Whatsapp nos meus horários vagos. Essa é hora de deslocar energia para outras coisas, mas pode ser hora de rever e de repensar alguma coisa na vida, o que sozinho pode ser angustiante.

Fúria e folia (um conto de Carnaval ou de lua cheia, quem sabe…)

“Eu não acredito que você fez uma coisa dessas, amiga!!!!” Foi com essa frase colada à mente que Ângela* ficou muda. Diante dela, mas dando as costas enquanto passava a esponja cheia de espuma num prato, Rosinha*, horrorizada.

Pensativa àquela altura da conversa, Ângela* começava a acreditar que tinha mesmo feito besteira. Ou talvez não?… Por fim, e na dúvida, resolveu manter o silêncio, concordar (não que concordasse com tudo) e foi embora, meio sem graça.

Gota à gota, a pia, se pudesse ver alguma coisa ou mesmo se alguma parte do aglomerado de compostos sedimentares que era, pudesse falar ou lembrar de algo com base na experiência que talvez tivesse se pudesse acumular memórias… saberia que Ângela* só tinha aproveitado a noite para ir um pouco além do que normalmente fazia: era moça, queria pura e simplesmente curtir a noite para ficar com vários outros jovens, coisa que já acontecia desde o começo da adolescência mas…

– Nossa, que galinha! – protestou, esbravejando solitariamente a dona da pia.

Com as palavras da amiga e a cena relatada muito viva flechando a consciência repetidamente, Rosinha* não podia admitir que a amiga tinha passado a noite com um desconhecido num motel. Achava isso um verdadeiro absurdo. Não obstante, se a pia pudesse observar as duas um pouco melhor, já que se tivesse olhos eles certamente estariam limpos de tanto sua dona passar-lhe pano… bem… o mármore falso teria visto uma moça muito satisfeita pelo feito (Ângela* sabia o nome do moço, claro) e outra horrorizada num mesmo instante.

– Loucura… fui fazer uma loucura, a-mi-ga-a!! Que loucura o quê?!?

Repetindo a fala da outra desdenhosamente, não havia bastado para Rosinha*, ficar brava e falar um montão de coisas. Ao terminar de arrumar a cozinha, ela ainda reclamou sozinha, xingou novamente e falou mais uma vez com espanto. Ângela* não era inocente mas, parecia que tinha exagerado, não é?

– É claro sim, claro que foi um exagero!!!

No meio daquela conversa coube a Ângela* se justificar e explicar, surpreendida por tamanha reação negativa da amiga. E convenhamos, ela tinha tomado todos os cuidados (e talvez até mais que muita gente): não foi no motel no mesmo carro e ela própria já levava preservativos na bolsa. Aliás, o moço também levava, o que deixava ainda mais óbvia a razão do encontro dos dois. E se a baladeira (que por sinal ainda trabalhava e estudava muito) não sabia se ele era mesmo solteiro ou não, ué… ele não era alguém com quem queria ficar além dessa noite de ontem. E que tinha sido maravilhosa…

– Nossa, que puta!!!… Que tinha que me mandar mensagem dizendo onde estava? Vai te catar!

A lâmpada se apaga e a pia fica entregue à luz da lua assim que Rosinha* sai. Pela porta, caindo na paredes, apenas a sombra da moça passando de um lado pro outro, se arrumando. Mas, ao contrário de outras vezes, ela não voltou nem um pouco cedo… aliás, estava tão irritada que “precisou” tomar um pouco de vinho antes de sair para ver se estaria melhor quando fosse sair com Ângela*.

E, com as horas… aquela noite se passou em silêncio. Aquele silêncio onde nada se escuta e nem se vê nada, de uma casa cujas vidas saíram por aí para retornar somente no dia seguinte…

– Nossa… – foi o que Rosinha* resmungou pondo as mãos na pia para se apoiar; estava um verdadeiro caco quando reapareceu.

Se pudesse, já que não tinha olhos, o mármore de mentira os teria apertado desconfiado, daquele jeito como quem pergunta: “e aí, o que aconteceu?”… Mas era só um granito e não poderia nunca acolher sua dona assustada.

Maquiagem toda borrada, a roupa torta, uma bolsa atravessada no meio do corpo e uma dor de cabeça horrível… Não, Rosinha* não estava conseguindo pensar direito e por fim largou os sapatinhos que carregava na mão, ali no chão da cozinha mesmo. Não era o que costumava fazer mas o fez e se sentou na cadeira ali mesmo, toda largada, alisando os lábios pensativamente.

Àquela altura, mal conseguia se lembrar da noite. Se a pia lhe perguntasse sobre o que havia bebido, ela não saberia nem dizer do copo de vinho antes de sair de casa. Descabelada, ela tenta ajeitar um pouco os fios, acenando negativamente com a cabeça, sem acreditar que há pouco acordara com um moço estranho bem do seu lado, num motel e atirado nele tudo o que tinha visto pela frente, antes de sair dali num Uber bufando raivosa.

E agora, olhando para o celular, que as delicadas mãos de esmaltes vermelhos afastam, Rosinha* se pergunta sobre o que dizer para a amiga. Mensagens perguntando sobre seu paradeiro e um monte de ligações. Havia uma vaga lembrança de silenciar o aparelho e jogá-lo no fundo da bolsa antes de ir para… onde mesmo?…

Era verdade que Rosinha* se lembrava muito pouco da noite. Sim, isso era verdade. Mas sua maior verdade é que não podia aceitar a chama acesa dentro de seu próprio corpo e aquilo que invejava tanto em Ângela*: o poder de soltar e dominar a própria chama para fazer praticamente tudo o que queria.

Como há de acontecer aos incautos que reprimem sem domar seus ferventes e borbulhantes desejos, o de Rosinha*, escapuliu total, completa e incontrolavelmente das mãos com as quais tanto buscava evitá-lo e mantê-lo quieto.

Se a pia fosse dada a fazer julgamentos como a própria dona, certamente a reprovaria veementemente agora.  Mas, ainda bem que não podia, afinal, Rosinha* já fazia isso tanto por querer quanto sem querer.

Rosinha* tinha aprendido que as coisas não poderiam ser daquela forma súbita e repentina: que seria preciso haver uma conquista, um relacionamento e, para talvez um dia haver algo mais íntimo.

Contudo, tamanha repressão dava as caras nas horas dedicadas a ouvir o quanto Ângela* “aprontava”: sempre queria saber com quem ela havia ficado, quando havia saído, o que tinha acontecido e etc. E ainda estava ali para aconselhar o contrário, assim como fizera ontem.

Era hipocrisia?

A pia, feita de seu indiferente mármore falso, poderia sim fazer uma boa observação, caso fosse dado a esses compostos sedimentares, alguma capacidade de se abster de julgar os humanos, diferentemente de como eles próprios estão tão habituados a fazer. E, livre de julgamento de valores, poderia logo perceber que dentro de uma mesma Rosinha* haviam duas: uma brigando para tentar satisfazer seus desejos mas, reprimida por outra, há anos poderosa e cruel ceifadora.

Mas, diante da primeira vitória da primeira Rosinha*, a segunda faz com que ela se ajoelhe no canto da cozinha e chore envergonhada, já que toda a força repressiva continua ali, tentando satisfazer não a si própria, mas ao que tanto esperavam e esperam dela até hoje.

E é assim, perdida, que Rosinha* se levanta enxugando as lágrimas que não são de uma ou de outra, mas todas dela mesma, mulher composta que sofre sem conseguir ser quem é, seja na repressão, seja na realização do desejo. Ela vira um remédio na boca e bebe a água da torneira mesmo. Estava feito e não tinha muito o que fazer agora a não ser engolir uma tal pílula, tomar um banho gelado e, bem… tentar entender ou esquecer a noite de lua cheia sob a qual havia se transformado.

Gostou da leitura? Então aperte os botões aqui embaixo para curtir e compartilhar! Isso ajuda na escolha do conteúdo para publicação e também, a expandir esse trabalho!! Não esqueça de se inscrever também para acompanhar as publicações!!

Obrigado e até a próxima!!!

Revisado em 21 de fevereiro de 2020.

Ansiedade

A ansiedade não é um traço de personalidade e sim, um sintoma. Sintoma, por sua vez, diz respeito a algo que uma pessoa sente em relação a algo que acontece seja subjetivamente, organicamente ou, funcionalmente.

Noutras palavras, a ansiedade é um sintoma de que algo está acontecendo com a pessoa, mas que nem sempre ela sabe bem o que é.

Ansiedade pode estar relacionada a questões pontuais e bastante claras, como:

  • vésperas de uma cirurgia;
  • vésperas de provas (final de ano, vestibular, CNH e outras);
  • um encontro importante.

Nesses casos você deve imaginar que a ansiedade não é um problema e, de fato, não é. Contudo, a coisa deve ser encarada com mais cautela (e até como doença) na medida em que os sintomas se agravam, seja em intensidade, duração e reincidência, que por sua vez podem estar associados a outros sintomas como:

  • dificuldade para respirar;
  • batedeira no peito;
  • euforia (vontade de sair correndo desesperadamente, se mexer muito, ter que sair do lugar onde está de qualquer maneira ou de se agitar muito mesmo);
  • medo de morte iminente;
  • preocupação excessiva e muito antecipada a coisas que podem acontecer (preocupação excessiva com algum evento distante semanas à frente, por exemplo);
  • insônia (pode incluir sono ruim com pesadelos);
  • dificuldade de concentração;
  • mal estar inespecífico.

A ansiedade vai ter suas causas e sintomas específicos para cada pessoa. Como consequência, o tratamento também deverá ser específico, à começar do diagnóstico. Essa fase diagnóstica implica no profissional ouvir mais sobre a história do paciente com o objetivo de:

  • estabelecer um vínculo com o paciente;
  • conhecer mais sobre essa ansiedade relatada e como o paciente lida com ela;
  • saber sobre e como essa pessoa lida com a própria vida.
  • estabelecer um diagnóstico sobre o que causa essa ansiedade, bem como um prognóstico;
  • pensar em formas de tratamento possível e discuti-las com o paciente, inclusive podendo haver a necessidade de um diagnóstico diferencial de alguma outra patologia, em alguns casos.

Como digo e reforço, a ansiedade não é traço de personalidade, tem tratamento e cura. Você não precisa conviver com isso pela vida toda e nem com as perdas implicadas, entretanto, é a você que sofre que cabe buscar ajuda. Nem todos os casos de ansiedade são para tomar remédio e o objetivo é que a pessoa que precise, melhore e possa deixar essas medicações gradativamente.

Quanto mais demorada é a procura por tratamento de ansiedade, maior o risco de agravamento, podendo ela evoluir para estados depressivos, colaborar para acentuar ainda mais manias, fobias e também para a síndrome do pânico.

Ou seja:

  • – quanto maior a demora em procurar tratamento para saúde mental, maiores as chances de um problema se associar à ansiedade e vice-versa;
  • – quanto maior a demora em tratar a ansiedade, maior a chance desse tratamento também requerer um suporte psiquiátrico.

Ansiedade e medicação

Como disse, nem todo tratamento de ansiedade implica em medicamentos, ou seja, nem sempre é necessário um acompanhamento psiquiátrico.

O uso de remédios tem por finalidade única e exclusiva amenizar, diminuir os sintomas ao ponto em que consiga minimamente retomar algumas atividade cotidianas. Não é interessante o “desaparecimento completo” dos sintomas, pois isso dificulta o tratamento de tal forma, que a pessoa corre o risco de desenvolver algum outro tipo de sintoma.

Isto é:

Se a pessoa deixar de sentir completamente o que sentia em relação a uma determinada situação, ficará muitíssimo difícil ouvir e trabalhar o que até então estava acontecendo. Isso significa que a pessoa passará por cima de um ponto conflitante ainda mais vezes, o que poderá fazer com o que era um sintoma em um lugar, passe a se manifestar noutro, o que inclui a possibilidade de desenvolver doenças físicas de vários tipos.

Ansiedade requer uma escuta adequada para ser devidamente tratada e isso só pode ser feito através de psicanálise ou de psicoterapias. Só tomar remédios não vai resolver e, lidar com ela como se fosse um traço de personalidade só vai trazer um acúmulo maior de prejuízos.

Aliás, tratar ansiedade como traço de personalidade pode ser se conformar com algo que não é normal e que tem tratamento, um tratamento que implica em você falar, pensar e repensar sua vida em profundidade junto a um profissional habilitado.

Você é ou acha que é ansioso? Venha conversar!!

Conhece alguém que seja? Então indique o meu contato ou compartilhe essa página! As indicações e recomendações são as formas mais eficazes de ajudar essas pessoas!

TOC – Transtorno Obsessivo-Compulsivo

O transtorno obsessivo compulsivo é conhecido por algumas características mais “famosas”, como:

  • pensamento fixo em alguma coisa;
  • repetições;
  • manias e rituais;
  • fazer coisas sem saber propriamente por qual razão (repetidamente).

Mas antes de entrar no assunto propriamente dito, vamos ver também o que diz o CID10:

F42 Transtorno obsessivo-compulsivo
Transtorno caracterizado essencialmente por idéias obsessivas ou por comportamentos compulsivos recorrentes. As idéias obsessivas são pensamentos, representações ou impulsos, que se intrometem na consciência do sujeito de modo repetitivo e estereotipado. Em regra geral, elas perturbam muito o sujeito, o qual tenta, freqüentemente resistir-lhes, mas sem sucesso. O sujeito reconhece, entretanto, que se trata de seus próprios pensamentos, mas estranhos à sua vontade e em geral desprazeirosos. Os comportamentos e os rituais compulsivos são atividades estereotipadas repetitivas. O sujeito não tira prazer direto algum da realização destes atos os quais, por outro lado, não levam à realização de tarefas úteis por si mesmas. O comportamento compulsivo tem por finalidade prevenir algum evento objetivamente improvável, freqüentemente implicando dano ao sujeito ou causado por ele, que ele(a) teme que possa ocorrer. O sujeito reconhece habitualmente o absurdo e a inutilidade de seu comportamento e faz esforços repetidos para resistir-lhes. O transtorno se acompanha quase sempre de ansiedade. Esta ansiedade se agrava quando o sujeito tenta resistir à sua atividade compulsiva.
Inclui:
neurose:
– anancástica
– obsessivo-compulsiva

Fonte: Data SUS <http://www.datasus.gov.br/cid10/V2008/WebHelp/f40_f48.htm> Acesso em 24/11/2019.

O que por sua vez exclui a personalidade ancástica, que é essa descrita aqui:

F60.5 Personalidade anancástica
Transtorno da personalidade caracterizado por um sentimento de dúvida, perfeccionismo, escrupulosidade, verificações, e preocupação com pormenores, obstinação, prudência e rigidez excessivas. O transtorno pode se acompanhar de pensamentos ou de impulsos repetitivos e intrusivos não atingindo a gravidade de um transtorno obsessivo-compulsivo.
Personalidade (transtorno da):
– compulsiva
– obsessiva
– obsessiva-compulsiva

Exclui:
transtorno obsessivo-compulsivo (F42.-)

Fonte: Data SUS <http://www.datasus.gov.br/cid10/V2008/WebHelp/f60_f69.htm#F60> Acesso em 24/11/2019.

Como é mencionado aí em cima, há ideias e comportamentos recorrentes ou, também pode haver os dois juntos. Essas manias, repetições e compulsões em fazer coisas sem saber direito porquê, têm um significado que vai variar de uma pessoa para pessoa.

A coisa é mais complexa do que costuma parecer. Como o significado de cada ação é único para cada pessoa, a investigação (psicodiagnóstico) ou psicanálise de cada caso, seguirá uma direção em particular. É necessário conversar sobre muitas coisas, inclusive, pode ser necessário voltar ao mesmo assunto mais de uma vez para explorá-lo mais e mais à fundo.

O agravamento de um transtorno obsessivo (ou neurose obsessiva) pode implicar em timidez excessiva, isolamento, ansiedade em graus insuportáveis e, muitas vezes, comportamentos que podem “enlouquecer” quem está ali por perto.

Nos dias atuais, como há muitos grupos sociais, é natural que muitos obsessivos se juntem e terminem por fomentar ainda mais as próprias neuroses como se fossem coisas naturais e normais. À partir disso, a coisa pode piorar na medida em que fazem os outros (que estão fora de seu grupo) acreditarem que eles são mesmo normais (afinal, estão juntos aos montes).

Ou seja:

À partir desse exemplo você pode observar que neuróticos obsessivos podem ser extremamente convincentes com relação aos seus infindáveis argumentos em relação a determinado assunto. Da mesma forma, podem não se cansar de argumentar ou, ainda, se enrolar extraordinariamente em uma situação bastante simples sob os mais infindáveis pretextos.

Isso acontece pois é importante para eles a “conservação” da própria doença. Isso não significa que eles simplesmente queiram ser do jeito que são, mas o fato é que não é fácil lidar com a mudança e nem romper com aquilo que incomoda.

Conservar a “neurose” têm um custo alto: trata-se de viver uma vida cheia de preocupações (não raras vezes insanas) e com várias (se não uma infinidade) de privações, que vão desde a de poder viver tranquilamente, as de se aproximar e se relacionar mais à fundo com as pessoas.

O tratamento tende a ser longo, mas depende muito da disponibilidade em encarar a si mesmo e a encarar todos os desafios para mudar. Não se trata de resumir a coisa toda ao aprender coisas novas e sim, em mudar como lidar com a própria vida. A associação medicamentosa pode existir, mas serve mais para o tratamento de sintomas secundários, como ansiedade e depressão.

Você se identifica com esse transtorno ou com essa personalidade? Sente que manias, repetições e outras coisas o incomodam? Então entre em contato e venha conversar comigo!

Conhece alguém que pode estar nessa condição, cheio de manias, repetindo coisas sem parar, se enrolando com toda vida? Faça uma indicação ou recomendação!! Pessoas conhecidas e suas recomendações podem levar tempo para fazer efeito, mas são sempre importantes!!

Quanto tempo demora para ficar curado?

Pois bem. Se uma doença mental é construída ao longo de uma vida, isso significa que a vida dessa pessoa dificilmente levará pouco tempo para mudar. Mudanças bruscas não são impossíveis, mas são raras.

Para a pessoa ser o que é, significa que ela passou a ser como é no decorrer de uma vida até o momento presente. Mudar isso envolve entender como ela chegou até aqui e é preciso que o trabalho no consultório faça um caminho “inverso” ao do tempo.

Como Freud ilustrou bem há muito tempo atrás, o trabalho do psicanalista tem uma similaridade com o de um arqueólogo, requerendo cuidado para juntar vários fragmentos do passado para entender do que se tratam aqueles pedaços.

Por exemplo, se alguém tem dificuldade de falar em público, não há propriedade em falar que ela “deve se soltar”, a não ser que seu objetivo seja “motivá-la”. Um paciente em análise precisa de mais que isso. É preciso explorar do que é feita essa dificuldade.

__ Se o trabalho for apenas para “motivar”, não estará excluído o risco de a pessoa repetir a mesma dificuldade noutros momentos __

Dado o passo rumo à descoberta, caberá ao paciente refletir sobre o que fazer com aquilo que aparecer. E, sabendo quem é e do que suas dificuldades são feitas, deverá refletir sobre que caminho tomar e como construí-lo.

Noutras palavras, não se iluda com promessas ou perspectivas de curas com o estalar de dedos. Não existem palavras mágicas no consultório nem em livro nenhum. As questões de cada pessoa possuem ingredientes diferentes e cada mistura é única. O caminho para entender e trabalhá-las, é pelas psicoterapias, o que inclui a psicanálise.

Psicoterapia pra quê?!?

Vamos direto ao ponto.

Psicoterapia serve para tratar da:

Há uma porção de definições, pois o significado do que é importante varia de uma pessoa para outra. Psicoterapias podem servir também para o tratamento de:

Esse tipo de tratamento serve para compreender o momento atual e como foi que as coisas chegaram até aqui. Como estamos todos repletos de mecanismos de defesa para evitar o próprio sofrimento, então é muito difícil que alguém consiga parar para refletir e ver onde é que as coisas não estão funcionando bem. Se você já conseguiu ou está conseguindo isso, merece os parabéns. Entretanto, esse não é um passo fácil de lidar e muitas pessoas requerem auxílio para tal.

Cada pessoa tem anos de história, então, ainda que ela possa se parecer com a de outra pessoa, ela é uma só. Ou seja, não é necessário e nem adianta comparar sua vida com a de outra pessoa, pois o tratamento de cada uma será único.

Caso queira conversar mais sobre esse assunto, envie sua mensagem!!!

Se quer saber mais sobre as minhas formas de atendimento, clique nesse outro link.

Quanto custa a sua saúde mental?

Pode ser uma insônia. Talvez um aumento na pressão arterial ou na glicemia, talvez súbitos e repentinos, talvez abruptos e assustadores! Um outro pode ter uma dermatite. Ou bruxismo? Aquela outra pessoa ali pode se ver presa a um ciclo de acontecimentos que sempre se repete e ela já desconfia que a coisa toda não é bem culpa do “destino” como costumam lhe dizer…

Pois bem. A saúde mental causa um impacto na vida das pessoas sem que possam perceber com clareza; é assim com muita gente. Uma preocupação com contas ou, com um “amor”, já costumam ser razões claras para associá-las com insônia, sendo bastante comum ouvir frases do tipo “essas contas estão me tirando o sono” ou, “esse fulano me tira o sono”…

Então… se é assim com contas e etc., não se surpreenda: há uma série de outras “preocupações” também podem levar à insônia; aliás, não se surpreenda se a resposta aqui for parecida com a do endividado àqueles que lhe mandam “resolver logo as dívidas”, que questiona de qual fonte pode tirar recursos financeiros extras. Saúde mental não se resolve num estalar de dedos.

Uma pessoa que dorme mal, por exemplo, irá perder em desempenho noutras atividades. Aliás, pessoas preocupadas podem se distrair com seus problemas e deixar o trabalho parcial ou totalmente de lado. Inclusive, podem perder de minutos a horas de trabalho tentando lidar com preocupações sem perceber.

Mas, a coisa não para por aí.

Há aqueles que deixam de tomar decisões importantes ou que “tomam decisões erradas” e mergulham em verdadeiros “infernos”. Será que é porque são tolas ou ignorantes? Não. Fazem o que fazem, por não conhecerem verdadeiramente a razão de suas ações.

Errar é humano? E quanto a repetir o erro? Se tem curiosidade à repeito, leia um pouquinho aqui, abre outra página em seu navegador.

E aí podemos ter aqueles que trabalham em coisas que não gostam, que não são felizes em seus relacionamentos ou aqueles que nunca encontraram nada, ninguém ou coisa alguma importante.

É um bocado difícil pensar em o quanto custa um emprego que não era aquele que a pessoa gostaria ou, o quanto custa viver anos em um relacionamento que nem é sombra do que um dia talvez tenha sido desejado.

Ulisses* é um exemplo de pessoa que tem toda uma dificuldade para viver a vida em decorrência de questões afetivas sérias. Ele é um personagem fictício com uma história também fictícia, cujo drama pode estar por aí, na pele de outras pessoas. Se interessou, pode ler nesse link (abre outra página)

Esqueça os nomes complicados, os códigos internacionais e os cifrões. A saúde mental possui um custo por si mesma por se tratar da vida do sujeito, portanto, considerá-la e tentar cercá-la de definições e moedas pode ser como colocar num quintal um leão não domesticado e continuar a alimentá-lo, para não dizer que é mais uma forma de perder tempo e agregar mais perdas à vida.

Tempo, aliás, é bastante diferente da correria à qual estamos sujeitos no dia-à-dia. Para compreender, mudar e seguir noutro rumo, o ritmo é outro, ditado por como cada um consegue ou não se construir e reconstruir. Mas, é um assunto para uma próxima.

E para que servem os remédios e a psicoterapia? Qual o melhor?

Eventualmente (mas com certa frequência) surgem dúvidas relacionadas a tomar remédios seja para ajudar a dormir, não ficar ansioso, não ter crises de pânico ou, se o melhor é fazer psicoterapia. Há dúvidas até mesmo, se um tratamento é ou não, melhor que o outro.

Os remédios servem para uma série de sintomas e possuem mecanismos que também podem variar. Quando um psiquiatra prescreve, leva em consideração esses aspectos e também, efeitos de combinações entre fármacos (afinal, um mesmo paciente pode precisar de vários psicotrópicos ou, também, tratar outras doenças, como hipertensão ou diabetes). Alguns dos sintomas que podem ser diminuídos com medicações, são a insônia e a ansiedade (incluindo as crises de pânico), o que costuma ajudar a pessoa descansar e recuperar um pouco as energias ou, para retomar sua rotina de uma forma mais suportável; no caso de depressões, os remédios podem servir como certa “injeção de ânimo” para retomar algumas atividades.

Mas melhorar sintomas não quer dizer que as coisas dentro da mente terão se resolvido. O tempo de cada pessoa para lidar e se “resolver” com uma situação varia bastante. Ainda que a pessoa tome remédios, isso não quer dizer que ela se livrou das “dores da alma” (ou psiquê, como queira). Esse tipo de dor, combinada a aspectos fisiológicos (como aumento de tolerância a alguns fármacos), pode reaparecer cedo ou tarde, inclusive, inviabilizando algum remédio ou medida que a pessoa adota para evitar o que a incomoda.

Vamos dizer assim, que aquilo que perturba a cabeça das pessoas, fica ali num modo stand-by, parecido com quando você desliga seu celular. Ainda que esteja desligado, algumas funções do aparelho continuam. Nesse caso, o reaparecimento de sintomas ruins do estado mental é mais ou menos parecido com seu celular ligar sozinho depois de um esbarrão em alguma coisa ou outra, talvez sem que você perceba claramente como e quando foi.

A psicoterapia e o tratamento psiquiátrico caminham paralelamente. Há quem não precise de remédio (e muitas pessoas, diga-se de passagem), mas quando elas precisam, também não podem deixar de lado que as causas do mal-estar precisam ser ouvidas com todo um cuidado. Isso pode aumentar a sensibilidade, trazer à tona coisas supostamente “esquecidas” mas, que na verdade, só estão pedindo para sair do lugar onde estão.

Entre tratamento psicológico e psiquiátrico, não há um melhor. Há indicações para cada caso a serem pensadas e repensadas em cada encontro com os profissionais, com a participação óbvia e necessária do próprio paciente.