O quanto preciso saber sobre o corona vírus?

Sejamos breves: se a essa altura da história você entendeu o que é o COVID-19, em se tratando de:

  • sinais e sintomas;
  • transmissão;
  • prevenção.

Então… pronto, você não precisa entender mais nada. Se for profissional da saúde já terá uma ideia aprofundada de cada tópico e com certeza sabe de cor e salteado como proceder.

Incorrer em mais que isso pode ser fomentar neuroses e esse tipo de coisa, inclusive no consultório, às vezes requer um corte, um encerramento deste processo.

Isso se faz necessário para evitar uma paralisia (esquecer da vida em troca de alguma repetição) ou ansiedade (se colocar em expectativas excessivas, por exemplo).

Não vou traçar aqui um manual de sobrevivência no isolamento, mas estarei disponível para conversar pelo Whatsapp nos meus horários vagos. Essa é hora de deslocar energia para outras coisas, mas pode ser hora de rever e de repensar alguma coisa na vida, o que sozinho pode ser angustiante.

Ansiedade

A ansiedade não é um traço de personalidade e sim, um sintoma. Sintoma, por sua vez, diz respeito a algo que uma pessoa sente em relação a algo que acontece seja subjetivamente, organicamente ou, funcionalmente.

Noutras palavras, a ansiedade é um sintoma de que algo está acontecendo com a pessoa, mas que nem sempre ela sabe bem o que é.

Ansiedade pode estar relacionada a questões pontuais e bastante claras, como:

  • vésperas de uma cirurgia;
  • vésperas de provas (final de ano, vestibular, CNH e outras);
  • um encontro importante.

Nesses casos você deve imaginar que a ansiedade não é um problema e, de fato, não é. Contudo, a coisa deve ser encarada com mais cautela (e até como doença) na medida em que os sintomas se agravam, seja em intensidade, duração e reincidência, que por sua vez podem estar associados a outros sintomas como:

  • dificuldade para respirar;
  • batedeira no peito;
  • euforia (vontade de sair correndo desesperadamente, se mexer muito, ter que sair do lugar onde está de qualquer maneira ou de se agitar muito mesmo);
  • medo de morte iminente;
  • preocupação excessiva e muito antecipada a coisas que podem acontecer (preocupação excessiva com algum evento distante semanas à frente, por exemplo);
  • insônia (pode incluir sono ruim com pesadelos);
  • dificuldade de concentração;
  • mal estar inespecífico.

A ansiedade vai ter suas causas e sintomas específicos para cada pessoa. Como consequência, o tratamento também deverá ser específico, à começar do diagnóstico. Essa fase diagnóstica implica no profissional ouvir mais sobre a história do paciente com o objetivo de:

  • estabelecer um vínculo com o paciente;
  • conhecer mais sobre essa ansiedade relatada e como o paciente lida com ela;
  • saber sobre e como essa pessoa lida com a própria vida.
  • estabelecer um diagnóstico sobre o que causa essa ansiedade, bem como um prognóstico;
  • pensar em formas de tratamento possível e discuti-las com o paciente, inclusive podendo haver a necessidade de um diagnóstico diferencial de alguma outra patologia, em alguns casos.

Como digo e reforço, a ansiedade não é traço de personalidade, tem tratamento e cura. Você não precisa conviver com isso pela vida toda e nem com as perdas implicadas, entretanto, é a você que sofre que cabe buscar ajuda. Nem todos os casos de ansiedade são para tomar remédio e o objetivo é que a pessoa que precise, melhore e possa deixar essas medicações gradativamente.

Quanto mais demorada é a procura por tratamento de ansiedade, maior o risco de agravamento, podendo ela evoluir para estados depressivos, colaborar para acentuar ainda mais manias, fobias e também para a síndrome do pânico.

Ou seja:

  • – quanto maior a demora em procurar tratamento para saúde mental, maiores as chances de um problema se associar à ansiedade e vice-versa;
  • – quanto maior a demora em tratar a ansiedade, maior a chance desse tratamento também requerer um suporte psiquiátrico.

Ansiedade e medicação

Como disse, nem todo tratamento de ansiedade implica em medicamentos, ou seja, nem sempre é necessário um acompanhamento psiquiátrico.

O uso de remédios tem por finalidade única e exclusiva amenizar, diminuir os sintomas ao ponto em que consiga minimamente retomar algumas atividade cotidianas. Não é interessante o “desaparecimento completo” dos sintomas, pois isso dificulta o tratamento de tal forma, que a pessoa corre o risco de desenvolver algum outro tipo de sintoma.

Isto é:

Se a pessoa deixar de sentir completamente o que sentia em relação a uma determinada situação, ficará muitíssimo difícil ouvir e trabalhar o que até então estava acontecendo. Isso significa que a pessoa passará por cima de um ponto conflitante ainda mais vezes, o que poderá fazer com o que era um sintoma em um lugar, passe a se manifestar noutro, o que inclui a possibilidade de desenvolver doenças físicas de vários tipos.

Ansiedade requer uma escuta adequada para ser devidamente tratada e isso só pode ser feito através de psicanálise ou de psicoterapias. Só tomar remédios não vai resolver e, lidar com ela como se fosse um traço de personalidade só vai trazer um acúmulo maior de prejuízos.

Aliás, tratar ansiedade como traço de personalidade pode ser se conformar com algo que não é normal e que tem tratamento, um tratamento que implica em você falar, pensar e repensar sua vida em profundidade junto a um profissional habilitado.

Você é ou acha que é ansioso? Venha conversar!!

Conhece alguém que seja? Então indique o meu contato ou compartilhe essa página! As indicações e recomendações são as formas mais eficazes de ajudar essas pessoas!

Síndrome do pânico

A síndrome do pânico, conforme o CID10, é descrita exatamente como se segue:

F41.0 Transtorno de pânico (ansiedade paroxística episódica)
A característica essencial deste transtorno são os ataques recorrentes de uma ansiedade grave (ataques de pânico), que não ocorrem exclusivamente numa situação ou em circunstâncias determinadas mas de fato são imprevisíveis. Como em outros transtornos ansiosos, os sintomas essenciais comportam a ocorrência brutal de palpitação e dores torácicas, sensações de asfixia, tonturas e sentimentos de irrealidade (despersonalização ou desrrealização). Existe, além disso, freqüentemente um medo secundário de morrer, de perder o autocontrole ou de ficar louco. Não se deve fazer um diagnóstico principal de transtorno de pânico quando o sujeito apresenta um transtorno depressivo no momento da ocorrência de um ataque de pânico, uma vez que os ataques de pânico são provavelmente secundários à depressão neste caso.

Ataque de pânico
Estado de pânico
Síndrome de pânico
Exclui: transtorno de pânico com agorafobia (F40.0)

Fonte: Data SUS <http://www.datasus.gov.br/cid10/V2008/WebHelp/f40_f48.htm> Acesso em 24/11/2019.

Mas diferente do que é descrito aí, as situações ou circunstâncias ditas imprevisíveis, não funcionam exatamente assim na prática clínica. A verdade é que o paciente passa a vida incomodado por uma determinada situação (ou várias), sem se dar conta desse incômodo. Por exemplo, pode acontecer que um sujeito supostamente “calmo” nunca tenha percebido que a razão de ter ataques de pânico antes de ir no trabalho, era para evitar uma briga física com um colega desagradável, pois para ele só a ideia de perder a “calma” é insuportável, então, imagine como alguém assim fica quando lá no fundo tem vontade de “socar alguém”?

A intensidade dos sintomas da síndrome do pânico é demasiadamente sofrível, podendo ou não estar associada ao isolamento devido ao receio de novas crises. Esse isolamento costuma ser progressivo, seja por evitar pessoas, lugares, caminhos, até chegar ao não querer sair de casa. Neste caso, ele está associado ao mencionado no CID 10 sobre agorafobia, que por sua vez é um transtorno no qual a pessoa pode evitar desde pessoas a lugares, à partir de suas questões obsessivas ou depressivas, à vezes chegando a experimentar pouca ansiedade (mas porquê são bem sucedidos em evitar situações fóbicas).

Seja por um caminho, por outro ou, talvez outros que nem mencionei, a síndrome do pânico é uma doença que costuma chegar ao consultório à partir de recomendação psiquiátrica. Geralmente são pacientes que tratam das crises há algum tempo mas, que não conseguem se ver inteiramente livres dos sintomas e muito menos, dos remédios.

É fato: não há cura para síndrome do pânico se não através de psicoterapias ou de psicanálise, salvo em raros casos onde a pessoa se engaja em grandes mudanças na vida. Os medicamentos ajudam sim, mas só servem para amenizar os sintomas e para tentar evitar que novas crises surjam.

O tratamento para a síndrome do pânico requer psicoterapia ou psicanálise, costuma contar com um suporte medicamentoso cuja reavaliação ficará à encargo do psiquiatra, tendo em vista efeitos colaterais tanto no aumento, quanto redução, alteração e interação entre psicotrópicos.

A redução e o desaparecimento das crises leva alguns meses, variando de caso para caso. Entretanto, cabe ressaltar que não necessariamente o encerramento dos sintomas mais graves levará à cura. Aliás, como disse, é raro que isso aconteça dessa forma. Costuma ser através de psicanálise ou de psicoterapia que a pessoa vai rever a própria vida e tomar atitudes frente a ela para aí sim, se encaminhar para a cura daquilo que a levou à síndrome.

Vamos dizer que a síndrome do pânico é uma peça a ser trabalhada para ser removida de uma fileira de dominó, onde você trabalha uma por uma.

Deixar uma doença como a síndrome do pânico como está é deixar a vida se arrastando e acumular todo tipo de perdas.

Você têm síndrome do pânico? Têm ataques? Fobias? Conhece alguém que tenha? Entre em contato comigo ou me indique para essa pessoa!

TOC – Transtorno Obsessivo-Compulsivo

O transtorno obsessivo compulsivo é conhecido por algumas características mais “famosas”, como:

  • pensamento fixo em alguma coisa;
  • repetições;
  • manias e rituais;
  • fazer coisas sem saber propriamente por qual razão (repetidamente).

Mas antes de entrar no assunto propriamente dito, vamos ver também o que diz o CID10:

F42 Transtorno obsessivo-compulsivo
Transtorno caracterizado essencialmente por idéias obsessivas ou por comportamentos compulsivos recorrentes. As idéias obsessivas são pensamentos, representações ou impulsos, que se intrometem na consciência do sujeito de modo repetitivo e estereotipado. Em regra geral, elas perturbam muito o sujeito, o qual tenta, freqüentemente resistir-lhes, mas sem sucesso. O sujeito reconhece, entretanto, que se trata de seus próprios pensamentos, mas estranhos à sua vontade e em geral desprazeirosos. Os comportamentos e os rituais compulsivos são atividades estereotipadas repetitivas. O sujeito não tira prazer direto algum da realização destes atos os quais, por outro lado, não levam à realização de tarefas úteis por si mesmas. O comportamento compulsivo tem por finalidade prevenir algum evento objetivamente improvável, freqüentemente implicando dano ao sujeito ou causado por ele, que ele(a) teme que possa ocorrer. O sujeito reconhece habitualmente o absurdo e a inutilidade de seu comportamento e faz esforços repetidos para resistir-lhes. O transtorno se acompanha quase sempre de ansiedade. Esta ansiedade se agrava quando o sujeito tenta resistir à sua atividade compulsiva.
Inclui:
neurose:
– anancástica
– obsessivo-compulsiva

Fonte: Data SUS <http://www.datasus.gov.br/cid10/V2008/WebHelp/f40_f48.htm> Acesso em 24/11/2019.

O que por sua vez exclui a personalidade ancástica, que é essa descrita aqui:

F60.5 Personalidade anancástica
Transtorno da personalidade caracterizado por um sentimento de dúvida, perfeccionismo, escrupulosidade, verificações, e preocupação com pormenores, obstinação, prudência e rigidez excessivas. O transtorno pode se acompanhar de pensamentos ou de impulsos repetitivos e intrusivos não atingindo a gravidade de um transtorno obsessivo-compulsivo.
Personalidade (transtorno da):
– compulsiva
– obsessiva
– obsessiva-compulsiva

Exclui:
transtorno obsessivo-compulsivo (F42.-)

Fonte: Data SUS <http://www.datasus.gov.br/cid10/V2008/WebHelp/f60_f69.htm#F60> Acesso em 24/11/2019.

Como é mencionado aí em cima, há ideias e comportamentos recorrentes ou, também pode haver os dois juntos. Essas manias, repetições e compulsões em fazer coisas sem saber direito porquê, têm um significado que vai variar de uma pessoa para pessoa.

A coisa é mais complexa do que costuma parecer. Como o significado de cada ação é único para cada pessoa, a investigação (psicodiagnóstico) ou psicanálise de cada caso, seguirá uma direção em particular. É necessário conversar sobre muitas coisas, inclusive, pode ser necessário voltar ao mesmo assunto mais de uma vez para explorá-lo mais e mais à fundo.

O agravamento de um transtorno obsessivo (ou neurose obsessiva) pode implicar em timidez excessiva, isolamento, ansiedade em graus insuportáveis e, muitas vezes, comportamentos que podem “enlouquecer” quem está ali por perto.

Nos dias atuais, como há muitos grupos sociais, é natural que muitos obsessivos se juntem e terminem por fomentar ainda mais as próprias neuroses como se fossem coisas naturais e normais. À partir disso, a coisa pode piorar na medida em que fazem os outros (que estão fora de seu grupo) acreditarem que eles são mesmo normais (afinal, estão juntos aos montes).

Ou seja:

À partir desse exemplo você pode observar que neuróticos obsessivos podem ser extremamente convincentes com relação aos seus infindáveis argumentos em relação a determinado assunto. Da mesma forma, podem não se cansar de argumentar ou, ainda, se enrolar extraordinariamente em uma situação bastante simples sob os mais infindáveis pretextos.

Isso acontece pois é importante para eles a “conservação” da própria doença. Isso não significa que eles simplesmente queiram ser do jeito que são, mas o fato é que não é fácil lidar com a mudança e nem romper com aquilo que incomoda.

Conservar a “neurose” têm um custo alto: trata-se de viver uma vida cheia de preocupações (não raras vezes insanas) e com várias (se não uma infinidade) de privações, que vão desde a de poder viver tranquilamente, as de se aproximar e se relacionar mais à fundo com as pessoas.

O tratamento tende a ser longo, mas depende muito da disponibilidade em encarar a si mesmo e a encarar todos os desafios para mudar. Não se trata de resumir a coisa toda ao aprender coisas novas e sim, em mudar como lidar com a própria vida. A associação medicamentosa pode existir, mas serve mais para o tratamento de sintomas secundários, como ansiedade e depressão.

Você se identifica com esse transtorno ou com essa personalidade? Sente que manias, repetições e outras coisas o incomodam? Então entre em contato e venha conversar comigo!

Conhece alguém que pode estar nessa condição, cheio de manias, repetindo coisas sem parar, se enrolando com toda vida? Faça uma indicação ou recomendação!! Pessoas conhecidas e suas recomendações podem levar tempo para fazer efeito, mas são sempre importantes!!

Depressão

A depressão se transformou em algo muito falado hoje em dia, entretanto, seu significado só está começando a ser difundido por aí. Como outras doenças mentais, não é um assunto simples.

Compreender e tratar a depressão leva algum tempo. Como o assunto é complexo, para muitas pessoas é melhor encerrar o assunto com alguma fala do tipo:

“antes não tinha dessas coisas”

“isso aí é frescura”

“isso é falta de ocupar a cabeça”

Há tantos exemplos que chega a ser desnecessário mencionar mais, não é? Mas, vamos por partes.

A via pela qual muitas pessoas ficam conhecendo a depressão é a psiquiátrica. Como falar de doenças costuma remeter aos médicos, convém citar o CID 10, antes de nos aprofundarmos no assunto da maneira que ele merece:

F32 Episódios depressivos
Nos episódios típicos de cada um dos três graus de depressão: leve, moderado ou grave, o paciente apresenta um rebaixamento do humor, redução da energia e diminuição da atividade. Existe alteração da capacidade de experimentar o prazer, perda de interesse, diminuição da capacidade de concentração, associadas em geral à fadiga importante, mesmo após um esforço mínimo. Observam-se em geral problemas do sono e diminuição do apetite. Existe quase sempre uma diminuição da auto-estima e da autoconfiança e freqüentemente idéias de culpabilidade e ou de indignidade, mesmo nas formas leves. O humor depressivo varia pouco de dia para dia ou segundo as circunstâncias e pode se acompanhar de sintomas ditos “somáticos”, por exemplo perda de interesse ou prazer, despertar matinal precoce, várias horas antes da hora habitual de despertar, agravamento matinal da depressão, lentidão psicomotora importante, agitação, perda de apetite, perda de peso e perda da libido. O número e a gravidade dos sintomas permitem determinar três graus de um episódio depressivo: leve, moderado e grave.
Inclui:
episódios isolados de (um) (uma):
– depressão;
– psicogênica;
– reativa;
– reação depressiva.

Exclui:
quando associados com transtornos de conduta em F91.- (F92.0)
transtornos (de):
– adaptação (F43.2)
– depressivo recorrente (F33.-)

F32.0 Episódio depressivo leve
Geralmente estão presentes ao menos dois ou três dos sintomas citados anteriormente. O paciente usualmente sofre com a presença destes sintomas mas provavelmente será capaz de desempenhar a maior parte das atividades.

F32.1 Episódio depressivo moderado
Geralmente estão presentes quatro ou mais dos sintomas citados anteriormente e o paciente aparentemente tem muita dificuldade para continuar a desempenhar as atividades de rotina.

F32.2 Episódio depressivo grave sem sintomas psicóticos
Episódio depressivo onde vários dos sintomas são marcantes e angustiantes, tipicamente a perda da auto-estima e idéias de desvalia ou culpa. As idéias e os atos suicidas são comuns e observa-se em geral uma série de sintomas “somáticos”.
Depressão:
– agitada 
– maior
– vital

Fonte: Data SUS <http://www.datasus.gov.br/cid10/V2008/WebHelp/f30_f39.htm> Acesso em 24/11/2019 

Pois bem. Há muitos sinais e sintomas para definir o que é uma depressão dentro do CID10, não é? Mas ainda assim, essa compilação de códigos não é de longe o suficiente.

Por exemplo, existe o luto. Ele pode se parecer com a depressão, mas tem algumas diferenças que depois explico um pouco.

O luto é uma espécie de entristecimento causado por alguma perda, podendo ser marcado por desinteresse, angústia, pensamento recorrente no que foi perdido, além de lamentações nesse mesmo sentido. Não está necessariamente ligado a uma perda física, mas se aplica a outras, como a de perder um objeto ou bem querido, término de relacionamento ou quebras de vínculos (como mudança de escola, emprego ou profissão).

Lidar com uma perda implica em um gasto de energia para elaborar, entender, absorver e passar a lidar com a realidade de outra forma, se direcionando para outra coisa. Então, não será do dia para a noite que as pessoas deixarão de ficar enlutadas.

A elaboração do luto pode levar uns dois anos. Entretanto, como noutros casos em saúde mental, a intensidade dos sintomas pode requerer um suporte profissional para observar e escutar melhor o que está se passando, não sendo necessário esperar sozinho que tudo passe por si só. Aliás, o luto só é elaborado quando há um espaço para isso, o que pode acontecer falando à respeito, por exemplo.

Agora voltemos à depressão propriamente dita.

Na psicanálise, Freud a definiu como melancolia para diferenciá-la do luto. Isso aconteceu pois ao ouvir os pacientes, percebeu-se que ainda que alguns sinais e sintomas sejam parecidos, a forma como surgem e como se desenrolam são diferentes estruturalmente.

No caso do luto, a perda é de algo de fora. No caso da depressão (ou melancolia), é como se a pessoa tivesse lamentando a perda de um pedaço dela própria, como se sua personalidade estivesse mutilada e sofrendo por isso; isso tem uma implicação bem importante na auto-estima.

A coisa parece que está se complicando, não?

Sim, é um bocado complexa. A prática clínica mostra que a depressão pode estar associada a questões de formação de personalidade, o que fica bastante complicado de explicar aqui, o que me faria fugir da proposta da página.

Em relação ao diagnóstico e ao tratamento da depressão, eles podem demorar, já que implicam no tocar em lembranças doloridas. Isso requer cuidados, pois o sofrimento do paciente pode agravar os sintomas, mas precisa estar dentro do suportável para ele. Ou seja, não se pode escavar as memórias e sentimentos de alguém de qualquer jeito, pois isso pode acabar fazendo bastante mal.

Em relação a associação medicamentosa, é mais frequente as pessoas irem ao psiquiatra, receberem medicação e perceberem que só com comprimidos elas não voltam a ser como eram. Nessa fase alguns abandonam tratamento ou buscam outro psiquiatra. Entretanto, o ideal é a pessoa ir atrás de psicoterapia ou de psicanálise mantendo o tratamento prévio, tendo em vista que é importantíssimo ser ouvido o que está relacionado ao que trouxe e ao que se liga essa depressão.

Como disse, o CID10 fala dos sinais e sintomas da depressão mas, deixa muita coisa importante de fora que precisa ser avaliada e tratada pelos profissionais de saúde mental.

Você pode chegar ao consultório com um diagnóstico CID10, dizendo qual tipo de depressão que tem, com lista de remédios e carta de encaminhamento nas mãos. Só que essas coisas não falam sobre a sua história de vida e não vão servir por si só, para explicar como é que você adoeceu. O adoecimento é como um ponto que está ligado a outros pontos, mas que também vai formar outros pontos na medida em que ocorrerem recaídas e os altos e baixos da vida.

Difícil, não é?

É difícil sim. E por isso mesmo requer tanto do paciente quanto de seu terapeuta ou analista, empenho e comprometimento. O trabalho no consultório é feito de descobertas, redescobertas, lembranças, relembranças e escritos e reescritos. O ritmo deve ser adequado de caso para caso, pois como disse, é natural que cada pessoa tenha o seu limite para suportar sofrimento na medida em que tenta sair de onde está. Mas o tratamento é importante e pode sim conduzir à cura, o que naturalmente deverá implicar numa disposição do paciente em repensar coisas em sua vida.

E quanto às recaídas?

As recaídas podem se dar, por exemplo, na medida em que o deprimido consegue chamar atenção para a sua condição. Com isso, ele muda o ambiente ao redor, muitas vezes apenas temporariamente. Na medida em que melhora, seus arredores voltam ao que era antes e aí há o risco tanto da recaída, como dela não ter o mesmo efeito nos outros. À partir daí, as formas de tentar “chamar atenção para o sofrimento”, podem piorar.

Querer chamar a atenção não envolve um “querer consciente” na maioria dos casos. Essa é uma razão pela qual tanto pode fazer se após uma crise a pessoa ouve xingamentos ou recebe abraços. Se for questão de receber algo, isso vai satisfazê-la em relação ao inconsciente dela.

Não adianta muita coisa ficar se perguntando o que essa pessoa que está sofrendo quer e tentar oferecer isso. É preciso que ela tenha como dizer o que quer e para alguém que possa ouvi-la de uma forma mais apropriada.

Outra forma de recaída no tratamento da depressão é quando a pessoa tenta fazer algo diferente e isso não dá certo. Ou, quando ela se vê de cara com um acontecimento sofrível (afinal, no meio do tratamento podem acontecer imprevistos ou outros eventos traumáticos, como acidentes e lutos). Por isso é importante tanto o tratamento quanto sua continuidade: para amortecer e para ajudar a lidar com esses outros momentos delicados sem deixar as questões principais de lado.

Associações da depressão com outras doenças

A depressão pode ser uma doença secundária a outras de saúde mental, como em alguns obsessivos, portadores de histeria e em ansiedades má tratadas. Seja como for, a depressão sempre merece uma escuta e um tratamento cuidadosos. O tempo para a cura vai variar muito de caso para caso, não necessariamente requerendo o tratamento psiquiátrico, muito embora a maioria costume vir por esta via.

Mas como disse, a depressão pode ser uma doença secundária. Assim, muito embora ela possa ser curada, isso não quer dizer que o que a trouxe foi. Portanto, o tratamento da depressão pode não ser o fim de um tratamento e, caso essa questão não seja considerada com a devida atenção, pode ser um fator que implique em recaídas ainda mais sérias no futuro.

E quanto ao suicídio, as tentativas de suicídio e o auto-flagelo?

Elas estão associadas a quadros mais graves de depressão, mas não é regra geral que elas sejam formas de tentar chamar a atenção. Aliás, é uma observação um bocado superficial que se popularizou por aí.

Suicídio, tentativas de suicídio e auto-flagelo podem estar associados a:

  • tentativa de lidar com algo insuportável e conflitante: vamos dizer que em alguns casos a pessoa faz mal a si para causar culpa no outro, mas também pode fazer a mesma coisa para evitar causar mal ao outro, seja direta ou indiretamente;
  • se sentir insignificante e tratar a si próprio também com insignificância;
  • punir a si próprio por algum desejo proibitivo, ou por algum fracasso ou mesmo, sucesso.

Seja qual for a razão que fez a pessoa ficar deprimida, para sair da doença será preciso mudar alguma coisa na própria vida, nem que seja começando sozinha ao estender a mão ao telefone para buscar alguém para ouvi-la profissionalmente.

Você suspeita ou tem depressão? Faz tratamento? Está na dúvida sobre o que fazer? Entre em contato, vamos conversar sobre isso!

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Psicoterapia pra quê?!?

Vamos direto ao ponto.

Psicoterapia serve para tratar da:

Há uma porção de definições, pois o significado do que é importante varia de uma pessoa para outra. Psicoterapias podem servir também para o tratamento de:

Esse tipo de tratamento serve para compreender o momento atual e como foi que as coisas chegaram até aqui. Como estamos todos repletos de mecanismos de defesa para evitar o próprio sofrimento, então é muito difícil que alguém consiga parar para refletir e ver onde é que as coisas não estão funcionando bem. Se você já conseguiu ou está conseguindo isso, merece os parabéns. Entretanto, esse não é um passo fácil de lidar e muitas pessoas requerem auxílio para tal.

Cada pessoa tem anos de história, então, ainda que ela possa se parecer com a de outra pessoa, ela é uma só. Ou seja, não é necessário e nem adianta comparar sua vida com a de outra pessoa, pois o tratamento de cada uma será único.

Caso queira conversar mais sobre esse assunto, envie sua mensagem!!!

Se quer saber mais sobre as minhas formas de atendimento, clique nesse outro link.

Quanto custa a sua saúde mental?

Pode ser uma insônia. Talvez um aumento na pressão arterial ou na glicemia, talvez súbitos e repentinos, talvez abruptos e assustadores! Um outro pode ter uma dermatite. Ou bruxismo? Aquela outra pessoa ali pode se ver presa a um ciclo de acontecimentos que sempre se repete e ela já desconfia que a coisa toda não é bem culpa do “destino” como costumam lhe dizer…

Pois bem. A saúde mental causa um impacto na vida das pessoas sem que possam perceber com clareza; é assim com muita gente. Uma preocupação com contas ou, com um “amor”, já costumam ser razões claras para associá-las com insônia, sendo bastante comum ouvir frases do tipo “essas contas estão me tirando o sono” ou, “esse fulano me tira o sono”…

Então… se é assim com contas e etc., não se surpreenda: há uma série de outras “preocupações” também podem levar à insônia; aliás, não se surpreenda se a resposta aqui for parecida com a do endividado àqueles que lhe mandam “resolver logo as dívidas”, que questiona de qual fonte pode tirar recursos financeiros extras. Saúde mental não se resolve num estalar de dedos.

Uma pessoa que dorme mal, por exemplo, irá perder em desempenho noutras atividades. Aliás, pessoas preocupadas podem se distrair com seus problemas e deixar o trabalho parcial ou totalmente de lado. Inclusive, podem perder de minutos a horas de trabalho tentando lidar com preocupações sem perceber.

Mas, a coisa não para por aí.

Há aqueles que deixam de tomar decisões importantes ou que “tomam decisões erradas” e mergulham em verdadeiros “infernos”. Será que é porque são tolas ou ignorantes? Não. Fazem o que fazem, por não conhecerem verdadeiramente a razão de suas ações.

Errar é humano? E quanto a repetir o erro? Se tem curiosidade à repeito, leia um pouquinho aqui, abre outra página em seu navegador.

E aí podemos ter aqueles que trabalham em coisas que não gostam, que não são felizes em seus relacionamentos ou aqueles que nunca encontraram nada, ninguém ou coisa alguma importante.

É um bocado difícil pensar em o quanto custa um emprego que não era aquele que a pessoa gostaria ou, o quanto custa viver anos em um relacionamento que nem é sombra do que um dia talvez tenha sido desejado.

Ulisses* é um exemplo de pessoa que tem toda uma dificuldade para viver a vida em decorrência de questões afetivas sérias. Ele é um personagem fictício com uma história também fictícia, cujo drama pode estar por aí, na pele de outras pessoas. Se interessou, pode ler nesse link (abre outra página)

Esqueça os nomes complicados, os códigos internacionais e os cifrões. A saúde mental possui um custo por si mesma por se tratar da vida do sujeito, portanto, considerá-la e tentar cercá-la de definições e moedas pode ser como colocar num quintal um leão não domesticado e continuar a alimentá-lo, para não dizer que é mais uma forma de perder tempo e agregar mais perdas à vida.

Tempo, aliás, é bastante diferente da correria à qual estamos sujeitos no dia-à-dia. Para compreender, mudar e seguir noutro rumo, o ritmo é outro, ditado por como cada um consegue ou não se construir e reconstruir. Mas, é um assunto para uma próxima.

E para que servem os remédios e a psicoterapia? Qual o melhor?

Eventualmente (mas com certa frequência) surgem dúvidas relacionadas a tomar remédios seja para ajudar a dormir, não ficar ansioso, não ter crises de pânico ou, se o melhor é fazer psicoterapia. Há dúvidas até mesmo, se um tratamento é ou não, melhor que o outro.

Os remédios servem para uma série de sintomas e possuem mecanismos que também podem variar. Quando um psiquiatra prescreve, leva em consideração esses aspectos e também, efeitos de combinações entre fármacos (afinal, um mesmo paciente pode precisar de vários psicotrópicos ou, também, tratar outras doenças, como hipertensão ou diabetes). Alguns dos sintomas que podem ser diminuídos com medicações, são a insônia e a ansiedade (incluindo as crises de pânico), o que costuma ajudar a pessoa descansar e recuperar um pouco as energias ou, para retomar sua rotina de uma forma mais suportável; no caso de depressões, os remédios podem servir como certa “injeção de ânimo” para retomar algumas atividades.

Mas melhorar sintomas não quer dizer que as coisas dentro da mente terão se resolvido. O tempo de cada pessoa para lidar e se “resolver” com uma situação varia bastante. Ainda que a pessoa tome remédios, isso não quer dizer que ela se livrou das “dores da alma” (ou psiquê, como queira). Esse tipo de dor, combinada a aspectos fisiológicos (como aumento de tolerância a alguns fármacos), pode reaparecer cedo ou tarde, inclusive, inviabilizando algum remédio ou medida que a pessoa adota para evitar o que a incomoda.

Vamos dizer assim, que aquilo que perturba a cabeça das pessoas, fica ali num modo stand-by, parecido com quando você desliga seu celular. Ainda que esteja desligado, algumas funções do aparelho continuam. Nesse caso, o reaparecimento de sintomas ruins do estado mental é mais ou menos parecido com seu celular ligar sozinho depois de um esbarrão em alguma coisa ou outra, talvez sem que você perceba claramente como e quando foi.

A psicoterapia e o tratamento psiquiátrico caminham paralelamente. Há quem não precise de remédio (e muitas pessoas, diga-se de passagem), mas quando elas precisam, também não podem deixar de lado que as causas do mal-estar precisam ser ouvidas com todo um cuidado. Isso pode aumentar a sensibilidade, trazer à tona coisas supostamente “esquecidas” mas, que na verdade, só estão pedindo para sair do lugar onde estão.

Entre tratamento psicológico e psiquiátrico, não há um melhor. Há indicações para cada caso a serem pensadas e repensadas em cada encontro com os profissionais, com a participação óbvia e necessária do próprio paciente.

Se errar é humano… e quanto a repetir o erro?

Diz um velho ditado que “errar é humano, errar duas vezes é burrice”. Entretanto, em psicologia e em psicanálise a coisa é vista de outra forma.

Aos olhos do “senso comum” ou do “saber popular”, todas as atitudes das pessoas soam como “conscientes”, como algo “planejado”, “pensado”, “calculado”. Mas a realidade é bem diferente disso.

Sem entrar em grandes detalhes acerca das instâncias ou das estruturas psíquicas, boa parte do que se faz não é propriamente “pensado”, o que acaba levando a uma infinidade de repetições, incluindo “erros”.

A repetição é algo que mantém o sujeito numa determinada situação, muitas vezes, impedindo que ele dê passos importantes na sua vida. Pelas mais diversificadas e complexas razões, alguém pode ficar preso em repetições pela vida inteira, seja se mantendo ou rescindindo em relacionamentos problemáticos (ou abusivos), seja conservando “manias”.

Na medida em que coisas acontecem e acontecem novamente, antes de julgar moralmente a pessoa, é importante questionar o que ela ganha ou perde dentro de determinada situação. O julgamento moral (muitas vezes já pesado para o próprio sujeito) só serve para enclausurá-lo anda mais, principalmente através de raiva e de vergonha, não servindo portanto, de engrenagem para ajudá-lo a buscar uma mudança.